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Nem todos perceberam, mas há uma Nova Era no futebol brasileiro. Quem já notou começou a colher frutos disso. Quem não viu está sofrendo. E os reflexos dessa transformação vão ficar ainda mais claros a partir desta temporada. É fundamental que os times entendam esse momento e aproveitem, pois a mudança a longo prazo promete ser fatal. Explico…

A Nova Era não começou agora. Teve início principalmente por causa da situação financeira mundial. Enquanto os europeus se apertam para se livrar da crise financeira, no Brasil há estímulos por todos os lados. Seja pelo razoável momento econômico do País, seja pela organização da Copa do Mundo de 2014.

Com isso, boa parte do futebol brasileiro passou a ter um dinheiro nunca antes visto. Isso só ficou ainda mais potencializado com a nova distribuição feita pela Rede Globo pelos direitos de transmissão. Alguns times passaram a receber ainda mais grana por isso, sendo que os valores de patrocínios também têm aumentado a cada ano.

Mas no futebol não basta ter dinheiro. É preciso competência. E a melhor saída para administrar com eficiência todo esse potencial financeiro é a profissionalização dos clubes. É inadmissível que tantos recursos caiam nas mãos de dirigentes amadores. O clubes não podem mais ser administrados como há vinte anos. Os tempos mudaram, o futebol mudou e o dinheiro mudou.

É preciso que pessoas treinadas façam esse dinheiro virar mais dinheiro. É o que aconteceu com o marketing do Corinthians, por exemplo. Com profissionais sérios e de qualidade, o time tem aproveitado todo o potencial que sua torcida tem. Claro que o bom momento em campo é fundamental para isso, mas quem aposta que essa boa fase vai acabar tão cedo?

O Corinthians criou uma estrutura sólida na direção e dificilmente vai se perder nos próximos anos. A contratação de Alexandre Pato,por um valor que antes seria inimaginável, é uma prova disso. Claro que é uma aposta de risco, mas poder fazer essa aposta é sinal de que algo muito bom foi feito anteriormente.

O marketing do Corinthians já agiu no anúncio da nova contratação

“Locospirose”. O marketing do Corinthians já agiu no anúncio da nova contratação

Por outro lado, não faltam exemplos ruins de administração. O Palmeiras caiu para a segunda divisão principalmente por causa da gestão Arnaldo Tirone. O time era ruim, mas existiam pelo menos quatro elencos piores no Brasileirão de 2012. Porém, nenhum clube foi mais bagunçado que o Alviverde nos bastidores e isso se refletiu em campo.

Para não ficar só nos exemplos paulistas: a situação do Vasco é preocupante. Mesmo com toda entrada de recursos já citada, o time tem dificuldades para pagar salários. O elenco de 2013 tem sido formado com baixos salários e baixa qualidade. A tendência é que tudo isso se reflita em campo já nesta temporada.

Mas tanto Vasco como Palmeiras e outros times bagunçados ainda podem se recuperar. Principalmente porque há uma outra oportunidade nessa Nova Era do futebol brasileiro: a construção dos estádios para a Copa do Mundo de 2014 gerará uma chance única. Os clubes precisam aproveitar esse momento para criar programas de sócios-torcedores que realmente funcionem. Na Europa esta é uma das principais fontes de renda dos times. No Brasil apenas engatinha. Pouquissímos clubes sabem aproveitar a paixão do torcedor para ganhar ainda mais dinheiro. Com as novas arenas ficará mais fácil organizar esses projetos. Depois de 2013, a maioria dos estádios já estará inaugurada e veremos quem vai saber usar isso da melhor maneira possível.

A Nova Era do futebol brasileiro ainda está em andamento, mas é preciso aproveitá-la desde já. A dica está dada.

Jamais vão esquecer a atuação do Cássio. Justo. O que ele fez foi digno de milagre, por mais que o corintiano não queira saber de santos. Jamais vão esquecer de Guerrero. Justo. Foram apenas dois cabeceios precisos, decisivos e fatais. Jamais vão esquecer de Emerson e Paulinho. Justo. Não foram bem no Mundial, mas sobraram na Libertadores.

Mas por favor, torcedor corintiano, jamais esqueça de Tite. Ele é o principal responsável por uma saga que jamais será repetida. Ele é o maior culpado por ter matado tanta gente de alegria. Foi ele que criou a maior força desse Corinthians tão brasileiro e tão mundial: a consistência tática e a força coletiva desse time só existe porque Tite existe.

Tite sempre mostrou que entende muito de futebol. Mesmo em seus fracassos mais marcantes, deixou lições táticas, nem que fosse apenas no discurso. Aliás, seu principal problema é exatamente o discurso: pausado, pensado e sempre com palavras difíceis para o mundo boleiro, ele sofre para que os jogadores entendam seu ponto. Nem sempre consegue passar a riqueza das suas mensagens.

No Corinthians essa dificuldade aconteceu, afinal existiu um Tolima no caminho. Mas Tite teve tempo e soube aproveitá-lo. Fez com que os jogadores acreditassem em seu discurso. Fez com que todos entendessem suas ideias. A marcação por pressão, avançada, é exemplo de algo pouco visto no futebol brasileiro, mas que funcionou de forma impressionante no Corinthians. Foi um dos diferenciais estratégicos do time.

Com o o elenco confiante em seu trabalho, Tite pôde inventar: diversas vezes escalou o time sem controavante, por exemplo. Deu certo, mas depois ele fez outra loucura: mudou o time para o Mundial e fez Guerrero ser titular absoluto. Funcionou novamente.

Aliás, até na final Tite resolveu colocar seu dedo na escalação: tirou Douglas do time e escalou Jorge Henrique. Um atacante entrou no lugar do meia, mas era uma mudança defensiva. Ele enxergou que o lado direito precisava de reforço na marcação, pois o ótimo Hazard atuaria por ali. Jorge é rápido e dedicado na marcação, ao contrário de Douglas, por isso foi titular. Deu tão certo que, antes do final do primeiro tempo, o Chelsea já começou a inverter o lado de Hazard, para que ele tivesse mais espaço. Era tarde demais.

Não foi apenas isso que fez o Corinthians ser campeão, é claro. Mas não foi apenas esse o mérito de Tite. Ele já tinha dado uma bela lição para o futebol brasileiro, tão atrasado em questões táticas: o time campeão nacional de 2011 não esbanjava talento, mas sobrava na organização em campo. E isso às vezes é mais importante do que o talento individual.

Tite tem coragem de mudar. Por isso muitas vezes ele erra. Por isso tantas vezes já foi criticado justamente. Mas também por isso já acertou como poucos técnicos no Brasil fizeram. Seu conhecimento tático é tão profundo e tão raro quanto seu poder de motivação. Essas qualidades montaram um time que se une para fazer o que ele manda. E certamente ele mandou o Corinthians para o topo do mundo.

 Tite, por Ricardo Matsukawa, do Terra

A saída de Mano Menezes da Seleção Brasileira já foi bastante discutida. É praticamente unânime: foi a decisão certa na hora errada. Faria sentido demitir Mano depois da Copa América ou da Olimpíada de Londres. Não agora, quando o trabalho estava em evolução. Muitos comentaristas seguiram essa linha ao comentar o assunto, como Arnaldo Ribeiro e Fabio Chiorino. Há também quem acredite em motivações políticas para justificar a decisão, como Menon e Sergio Xavier. Não duvido.

Mas o leite está derramado e não adianta chorar. É preciso olhar para frente e ver quem deve assumir o cargo. Inclusive já foi criada praticamente uma campanha para que Pep Guardiola seja o novo técnico do Brasil – além do pedido de comentaristas, como Lédio Carmona e Antero Greco, houve até uma carta aberta feita pelo Lance!, neste domingo. É evidente: seria no mínimo interessante ver o espanhol no comando do Brasil.

Mas permitam-me ser pessimista: duvido que Guardiolá vá assumir a Seleção. O diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez, tem repetido que não quer um estrangeiro no comando. É claro que o ex-presidente corintiano está com menos poder agora, mas vejo José Maria Marin com o mesmo pensamento – retrógrado e conservador, ele jamais vai aceitar que um espanhol treine a Seleção na Copa do Mundo que acontecerá no Brasil. Para eles seria uma afronta, não uma revolução.

Além disso, firmo meu pessimismo em outro raciocínio: a CBF jamais demitira Mano agora, sem um grande motivo, se não tivesse outro técnico de ponta engatilhado. E no momento parece óbvio: Felipão é a carga na manga de Marin. Sem clube, ele já poderia ter acertado ou pelo menos negociado com outros times de ponta, como Grêmio e Inter, além de clubes do exterior. Mas provavelmente se resguardou porque tem a certeza de que vai assumir a Seleção. Com uma ressalva.

Mas é claro que há uma ressalva: afinal, se Felipão estivesse 100% confirmado, poderia ser anunciado agora, não em janeiro apenas. O que fez a CBF adiar esse anúncio é o “fator Tite”. Explico – o técnico do Corinthians é competente, tem estilo que agrada à CBF, quer assumir a Seleção e está em alta. Porém, vai disputar o Mundial de Clubes em dezembro. É preciso esperar o que vai acontecer no Japão para que a CBF tome a última decisão.

Caso o Corinthians vença, Tite estará elevado ao nível de Deus entre os corintianos e será cada vez menos contestado por outras torcidas. Aproveitará para sair em alta do time paulista e irá direto para a Seleção, tomando o lugar que seria de Felipão. Caso perca, continuará bem no Corinthians e deixará o lugar aberto para seu companheiro gaúcho, que já está conversado com a CBF.

É claro que tudo isso é observação e análise, não informação. Mas parece muito mais realista do que imaginar que Guardiola vá assumir a Seleção às vésperas da Copa de 2014…

Me surpreenda, Marin.

“Quando surge o alviverde impotente…”. Era apenas uma piada infantil. Mas se tornou a melhor descrição da realidade palmeirense. Um clube imponente foi representado por um time impotente e broxou durante 36 rodadas nesta temporada. Caiu de divisão e caiu em dignidade, mas precisa entender: foi a melhor coisa que poderia acontecer. E não é difícil entender. Explico…

Palmeiras rebaixado/ Mauro Pimentel/ Terra

De Maurício Ramos a Maikon Leite, o torcedor palmeirense pode eleger muitos culpados pela queda. Mas na prática só há um grande culpado: Arnaldo Tirone é maior símbolo de incompetência do clube. Porque é preciso ser muito ruim para rebaixar um time como o Palmeiras, com orçamento, torcida e estrutura muito maiores que os adversários. É preciso ser péssimo para contratar Leandro Amaros e Luans, dar poder para Frizzos e Piracis, além de se omitir nos piores momentos.

Mesmo assim, se não houvesse rebaixamento, Tirone iria buscar a reeleição no Palmeiras. E talvez conseguisse, baseado no título mentiroso da Copa do Brasil e na política bagunçada do clube. Ele ficaria por mais dois anos e teria a máquina na mão para afundar de vez o Palmeiras. O clube continuaria com seu estatuto atrasado, com seus conselheiros retrógrados e com suas ideias antiquadas. Tudo no Palmeiras é antigo, inclusive a incompetência.

Por isso o time precisa de mudanças, que só podem começar pela presidência. As eleições estão marcadas para janeiro, data essa que já deveria ser antecipada. É preciso eleger já um novo nome, que deve ficar entre Paulo Nobre, Décio Perin e Wlademir Pescarmona. Pouco se conhece sobre eles, mas já fizeram algo de bom…

Na última sexta-feira, os três assinaram juntos uma carta na qual se comprometeram a fazer um “governo de transição”. Vão trabalhar juntos, desde já, para planejar o 2013 do Palmeiras. E, de acordo com PVC, pretendem manter Gilson Kleina. Creem que o treinador é a pessoal ideal para manter, tirar e indicar novos jogadores. Independente desta escolha, só o fato dos três terem se unido já mostra que uma mudança começou. O Palmeiras precisa de paz e união. Todas as confusões possíveis já aconteceram.

Por essas e outras que o rebaixamento pode ser tão importante para o Palmeiras.  Nem sempre cair é bom, concordo – tantos outros foram rebaixados, não aprenderam e continuam a repetir velhos vexames.  Mas o “alviverde imponente precisava disso para ter esperança de mudar. É possível fazer um novo velho Palmeiras, que não broche e honre sua história. Mas antes de se levantar, esse time precisava cair. O primeiro passo está dado. Comemore, Palmeiras!

Vinicíus caído/ Mauro Pimentel/ Terra

Depois de cair, é preciso mudar para se levantar

Acabei de comprar o Guia do Campeonato Brasileiro de 2022. Cheguei em casa, comecei a ler, mas logo meu filho e seus amigos me cercaram. Disputaram para ver as página dos seus times, mas eu queria ver os arquivos e as estatísticas, como sempre fiz. Demorou mais de 20 minutos para isso, mas consegui. E no fim eles também se interessaram – queriam saber detalhes dos antigos campeões…

Contei a eles o que minha memória permitiu. Comecei pelo histórico Flamengo campeão de 1992, passei pelo bicampeonato do Palmeiras-Parmalat e destaquei o Túlio no título do Botafogo em 1995, sem citar as polêmicas, para não desencantar os meninos.

Em 96, lembrei da pequena gigante Portuguesa, apesar do título do Grêmio. Em 97, impossível não destacar Edmundo na conquista do Vasco. E logo veio o bi do Corinthians, com questionáveis parcerias, mas inquestionável qualidade.

Expliquei que a partir de 2000 era melhor esquecer de alguns campeões. Chamei atenção para o Santos de 2002 e 2004, com os novos Meninos da Vila; e também para o Cruzeiro de 2003, de Alex, Luxemburgo e companhia. Mas logo veio o polêmico título corintiano em 2005 e as pouco encantadoras conquistas do São Paulo em 2006, 2007 e 2008.

Em 2009 falei de Adriano e Petkovic. Em 2010 lembrei de Conca. Mas em 2011 não tinha um destaque individual, só um forte conjunto corintiano, que depois seria campeão da Libertadores. Quis continuar, mas travei em 2012.

“Por que, pai? Como você lembra de todos de antes e esquece desse? Não faz nem 10 anos”, me lembrou meu filho, esperto e bom em matemática – “deve ter puxado para a mãe”, pensei, antes de continuar me esforçando para lembrar do Fluminense campeão de 2012.

“Primeiro é preciso lembrar da Unimed. Eles tinham uma parceria que trazia muito dinheiro para o clube”, comecei. “Mas então eles tinham vários craques, como o Palmeiras de 93-94 ou o Corinthians de 98-99?”, perguntaram.

Fluminense campeão/ Fernando Borges/ Terra

“Time de guerreiros”

“Não, o Fluminense não tinha grandes craques. Tinha jogadores muito bons, como Fred, Thiago Neves, Jean e Diego Cavalieri”, comentei em vão – nenhum deles brilhou pela Seleção Brasileira ou na Europa, então os meninos pouco sabiam quem eram. Só conheciam Wellington Nem, que ainda joga até hoje, apesar de ter perdido o que era seu ponto forte, a velocidade.

Eles continuavam sem entender nada. Apelei para a defesa, disse que o time tomava poucos gols. Mas meu argumento caiu quando disse que os zagueiros eram  os esforçados Gum e Leandro Euzébio. Diego Cavalieri fez defesas incríveis, mas os meninos eram novos demais para acreditar em milagres.

Estava cada vez mais difícil. Citei Abel Braga e isso ajudou, já que ele tinha grande currículo e foi importante para a tática do time. Mas era exigir demais o entendimento de como funcionou o 4-2-3-1 do Fluminense naquela época.

Então desisti. Parti para o Campeonato Brasileiro de 2013, era mais fácil – eles eram fãs do Neymar e rapidamente entenderam como o Santos foi campeão naquele ano.

Mas fiquei com aquela dúvida na cabeça. “Como o Fluminense foi campeão em 2012?”. Foi preciso refletir um pouco mais para entender: não há apenas um motivo que explique. É uma conjunção de fatores e foi isso que fez o título tricolor ser tão justo naquela temporada.

Fluminense, um líder campeão

O Fluminense não é “tantas vezes campeão” quanto Lamartine Babo declarou no hino tricolor. Porém, está próximo de colocar mais um título em sua história. O time de Abel Braga assumiu a liderança do Campeonato Brasileiro nesta quinta-feira e, mais importante do que isso, tem provado que pode se manter nessa posição até o fim. E aqui não cabe nenhuma acusação de oportunismo, pois há diversos motivos para justificar o favoritismo tricolor. Explico…

É desnecessário elogiar o elenco do Fluminense. Sobram opções de qualidade e a maioria delas está do meio-campo para frente: Thiago Neves, Deco, Wagner, Wellington Nem, Rafael Sóbis, Fred, etc…

Pois está exatamente aí o grande segredo do trabalho de Abel Braga: especialista em montar defesas, ele fortaleceu o que seria o ponto fraco do Fluminense. Agora o time é o menos vazado do Campeonato, com apenas 15 gols sofridos em 22 jogos disputados até agora. E vale destacar: não há grandes zagueiros no elenco, apenas Leandro Euzébio, Gum e Anderson – jogadores de qualidade mediana que têm se esforçado demais.

Gum e Wellington Nem/ Foto: Mauro Pimentel/ Terra

Experiência e juventude estão bem misturadas no Fluminense

Além disso, a aposta na experiência é outro detalhe importante do elenco do Fluminense. Em todas posições há pelo menos um jogador bastante rodado e que sabe o caminho dos títulos. Isso tem mantido o grupo focado e unido, claramente disposto a tudo para ser campeão mais uma vez. É possível enxergar ainda o embrião da equipe que quase foi rebaixada em 2009 e depois virou campeã brasileira em 2010.

Mas se for preciso juventude e fôlego renovado para buscar o título, o Fluminense também possui elenco para isso. Liderados por Wellington Nem, diversos jogadores das categorias de base têm conseguido espaço. Nesta quinta-feira, contra o Santos, foi a vez do centroavante Samuel brilhar. Mas há ainda Wallace, Fábio Braga, Matheus Carvalho, Marcos Jr e outros. A produção de talentos em Xerém sempre reforçou de verdade o elenco principal e dessa vez não será diferente.

Mas é evidente que o Fluminense não é um time perfeito. Ainda sofre com carência em algumas posições, nem sempre é criativo no meio-campo e demonstra irregularidade dentro de uma mesma partida. Mas a falta de concorrentes pelo título deve compensar isso: o Atlético-MG vai sofrer para lidar com a pressão de voltar a ser campeão; o Grêmio não tem uma defesa forte suficiente para ser campeão e sequer um técnico capaz de corrigir isso; e São Paulo, Internacional, Botafogo ou Cruzeiro teriam que conseguir uma arrancada improvável para alcançá-lo.

Portanto não faltam motivos para apontar o Fluminense como favorito absoluto ao título do Campeonato Brasileiro. Não é oportunismo. Na verdade é uma oportunidade bem aproveitada.

A boa notícia é para o São Paulo, que finalmente se encontrou e mostrou que pode lutar pelo título do Campeonato Brasileiro. A má notícia é para o Palmeiras, que provou de vez que vai lutar contra o rebaixamento até o final do Campeonato Brasileiro. Estas conclusões sobre os times paulistas foram as principais lições que saíram da 20ª rodada, mas vamos por partes.

Primeiro o Palmeiras: é inegável que o título da Copa do Brasil acabou prejudicando o time – por causar um relaxamento natural e por  ter feito vários jogadores chegarem ao limite físico. Essas lesões que vieram depois também comprometeram, até porque o elenco comandado por Felipão é fraco. Mas é preciso deixar algo bem claro: a expectativa do Palmeiras sempre foi de ficar na parte de baixo da tabela.

Antes do Brasileirão começar, a situação do Palmeiras foi descrita no Opiniões em Campo como “com medo de lutar contra o rebaixamento”. E essa deveria ter sido a preocupação do time desde o começo, até porque a posição na tabela sempre indicou isso também. Mas internamente houve uma ilusão de que o “campeão do Brasil” sairia da degola facilmente, quando quisesse, quando estivesse afim, quando fosse necessário.

Pois agora é necessário, mas o time simplesmente não consegue. Exatamente porque falta qualidade. Basta olhar setor por setor… não há sequer um zagueiro seguro, já que Henrique foi transformado em volante. A saída de jogo nos pés dos volantes, que sempre foi um problema, está ainda pior. No setor de criação existe apenas o pouco confiável Valdivia. E no ataque faltam jogadores de velocidade para fazer companhia a Barcos – Maikon Leite e Luan estão lesionados, mas também não são soluções.

Com esse elenco, turbinada pela contratação bombástica de Tiago Real, o Palmeiras vai lutar contra o rebaixamento até o fim. Pode se livrar, porque existem outros candidatos tão dispostos quanto ele a cair. Mas será uma batalha que ainda vai durar até dezembro.

Já do outro lado do muro a situação é oposta: o São Paulo tem mostrado a cada rodada que vai brigar pelo título do Campeonato Brasileiro. Já foram três vitórias seguidas e mais do que isso: Ney Franco está encontrando um time ideal para escalar, com a formação tática correta e guardando algumas boas opções para o banco.

Ainda é um time que depende demais de Jadson, Lucas e Luís Fabiano para funcionar. Mas a fase dos três é boa e eles podem empurrar o São Paulo para a briga pelo ponta. A liderança de Rogério Ceni também fez diferença, mas nada é tão fundamental quanto manter esses trio jogando bem. As características deles se completam perfeitamente e estão cada vez mais entrosados.

Em um Campeonato Brasileiro que segue aberto, já que o Atlético-MG não parece pronto para consolidar seu domínio, o São Paulo pode se aproveitar e entrar na briga junto com Fluminense e Grêmio. O Vasco está na frente, mas isso parece apenas uma questão de tempo. Em breve o São Paulo vai dormir e acordar no G-4, já sonhando com a liderança.

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