Não existe amor à camisa em RJ. Nem no Brasil inteiro na verdade, com um Rogério Ceni de exceção em SP. Há anos não tenho essa ilusão de que jogadores de futebol possam realmente se identificar com um clube. Esperar fidelidade e confiança deles é pedir para ser corno. Mesmo assim, a volta de Thiago Neves para o Fluminense chocou. Ele passou dos limites.
Não é preciso voltar muito no tempo para lembrar que ele desrespeitou o Fluminense. Há cerca de um ano, deu a entender que o time das Laranjeiras é pequeno, porque nunca tinha sido campeão por um clube grande, como o Flamengo. Agora ele voltou para o pequeno e mostrou que o mais baixo de todos nessa história é ele mesmo.
Thiago Neves é um grande jogador. Tem nível até para brigar por vaga na Seleção Brasileira. Já fez uma grande final de Copa Libertadores. Mas nunca vai ser levado a sério por causa desses absurdos. Quem quer respeito precisa respeitar. E ele quebra essa máxima a cada temporada, a cada mudança de time, a cada besteira falada. É um desperdício de talento.
Pior ainda para o Fluminense. Depois de ser mal tratado, correu atrás e ainda comemorou – é a mulher de malandro em seu pior estágio. Aceitou ser ofendido e ainda deu presente. Para que tudo isso? Só para atrapalhar o Flamengo? Não precisa, o Flamengo se atrapalha sozinho.
Não estou dizendo aqui que foi uma contratação ruim do Fluminense. Mesmo que a torcida vá fazer justiça e corretamente pegar no pé de Thiago Neves, é bem possível que ele responda em campo e ganhe títulos, até porque o Flu está com um dos cinco elencos mais fortes para 2012. Mas existe um valor que está acima de qualquer campeonato estadual, nacional ou continental: o respeito. Tanto o Thiago Neves quanto o Fluminense já perderam isso faz tempo.

Infelizmente, a vida alheia sempre foi uma obsessão para o ser humano. Hoje, potencializada pelo advento da internet e dos chamados “Reality Shows”. Se antes as formas de bisbilhotagem ficavam restritas às “espiadinhas” pelas janelas indiscretas e às “fofoquinhas” no portão, agora é possível saber como anda a existência de alguém a dez, cem, mil quilômetros de distância. E, pior, não é apenas possível saber como anda a existência de alguém a dez, cem, mil quilômetros de distância. É possível, quase imperativo, “curtir”, “retweetar” e “comentar” suas alegrias, sobretudo suas desventuras.
Parte integrante dessa velha nova ordem, o futebol também foi atingido pela chamada “Revolução Virtual”. E não apenas no tocante à maior disponibilidade e rapidez na obtenção das informações, mas, ainda, naquele que talvez seja o seu principal ingrediente: o ato de torcer.
Através das redes sociais e até mesmo de blogs feito o que você lê nesse momento, o outrora “Geraldino” – ou “Arquibaldo” – “curte”, “retweeta” e “comenta” suas alegrias e desventuras. “Curte”, “retweeta” e “comenta”, sobretudo, as desventuras alheias.
Das saudáveis e antigas gozações na segunda-feira de trabalho ou por parte dos colegas da escola, passamos à era da zoação via rede. Tantas vezes acima do limite e outras tantas protegidas pela escuridão do anonimato.
Nos últimos dias, acompanhei, curti, retweetei e comentei a respeito da novela envolvendo o jogador Thiago Neves e dois dos maiores clubes do futebol brasileiro, o Flamengo e o Fluminense. E, no chato imbróglio, um detalhe acabou por chamar a atenção: no final das contas, muitos tricolores já não se importavam com os eventuais benefícios ou problemas que o meia traria – ou trará – ao time de Abel Braga. Para esses, já seria o bastante atravessar a vida do rival. Ou – por que não dizer? – inimigo. Posto que, cada vez mais, uma pena, a rivalidade venha sendo confundida com inimizade.
Mas, para não bancar o certinho, o “santo do pau oco”, preciso confessar. Embora contrário ao retorno do filho pródigo, por minutos, ao assistir à estapafúrdia entrevista de Patrícia Amorim, cheguei a mudar de ideia. “#ChupaFlamengo, ameacei escrever”.
No entanto, foram minutos, segundos, sei lá. Acima de tudo, porque eu não sou Flamengo, sou Fluminense.
Fluminense que foi achincalhado, não faz muito, por Thiago Neves.
Fluminense que já contava com vários nomes de qualidade para a posição.
Fluminense que, dada a falta de reforços de peso no setor, provavelmente continuará com os problemas defensivos que quase me enfartaram ano passado.
Fluminense que come nas mãos do patrocinador. Que quando resolver deixar de ser patrocinador deixará o clube vivendo momentos de dor.
Conversa que me faz lembrar um ditado que diz: “quem se preocupa com a vida alheia, acaba esquecendo de escovar os dentes”.
Então, amigos, “bora” nos preocupar é com a vida da gente.
Eu sou é tricolor!
Boa quarta!
[...] que Love não pode ser considerado um substituto para Thiago Neves. O agora meia do Fluminense, apesar da conduta lamentável na carreira, vai fazer falta no Fla. Sem ele, o meio-campo deve ser formado por Renato Abreu e Botinelli. Não [...]