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Archive for abril \25\UTC 2012

Foi imprevisível. Foi uma grande surpresa. Foi, no máximo, uma injustiça. Mas não foi uma derrota do futebol. Esse esporte tão incrível só ganhou com a classificação do Chelsea contra o Barcelona. Porém, há quem insista em dizer exatamente o contrário. Após o apito final, decretado por Fernando Torres, diversos comentaristas espalharam por aí o clichê de que “o futebol perdeu”. Compreendo, mas não concordo.

Tudo pode acontecer no futebol e é justamente isso que o transforma em um esporte tão bonito e valioso. Entre um minuto e outro, entre um golaço e um gol contra, heróis viram vilões, promessas viram realidade e decepções se consagram. A caixinha de surpresas está sempre aberta e tem que ser valorizada – o futebol não teria tanta graça se não fosse tão imprevisível.

O Chelsea queria contrariar a expectativa do mundo inteiro e só tinha uma possibilidade. Com o time bagunçado, após uma temporada confusa, era impossível encarar o Barcelona de frente e vencer, como fez o Real Madrid no último sábado. Era preciso apostar em uma tática velha, contar com a sorte e, acima de tudo, superar o time catalão na vontade. Foi isso que fez a diferença. Depois da classificação, o técnico interino Roberto Di Matteo comentou que “o segundo tempo foi muito mais paixão e desejo do que tática”. Perfeito. Foi isso que vimos.

Mas não falta quem prefira diminuir o valor desse feito do Chelsea. “Foi mais um crime lesa-futebol”, escreveu Alberto Helena Jr. “O Barcelona foi eliminado, mas quem perdeu foi o futebol!”, destacou Benjamin Back. Outros tantos comentaristas, como Mauro Beting e Antero Greco, foram pelo mesmo caminho, sempre lamentando a classificação do Chelsea.

Talvez o que eles querem dizer é que o futebol-arte perdeu. De fato, não é nada bonito ver o Chelsea jogar com nove jogadores atrás da linha da bola. Mas o que mais eles poderiam fazer? A tática do time inglês foi extremamente legítima. E mais: foi digna de admiração também, pois tantos outros já tentaram algo parecido e não conseguiram. Eu mesmo cheguei a escrever que isso não poderia dar certo duas vezes. Mas deu certo e prefiro aplaudir de pé os ingleses por isso.

Aplaudo de pé também o futebol, pois como escreveu Mauro Cezar Pereira, “o futebol nunca perde, ele manda, ensina, reina. Por isso gostamos tanto disso”. Afinal, só esse esporte sensacional pode proporcionar momentos como esse vivido pelo Chelsea. Só esse esporte pode proporcionar uma história como a de Ramires, um brasileiro atípico que fez o golaço mais típico de um brasileiro. Ou a história de Fernando Torres, o atacante-piada que virou atacante-herói no jogo mais importante do ano. Ao olhar para essas histórias, é impossível não valorizar o futebol. É impossível dizer que o futebol perdeu. Na verdade o futebol só mostrou que é o melhor esporte da história indiscutivelmente.

O futebol ganhou

O futebol ganhou

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Acabou a fase de grupos e agora já sabemos quem é quem na Copa Libertadoes. A competição tem confirmado a expectativa de ser uma das melhores dos últimos anos, mas a parte mais interessante ainda nem começou. O mata-mata vem aí, mas antes preciso acertar as contas: prometi dar a cara para bater e conferir meus palpites sobre quem avançaria em cada chave da Libertadores.

Resultado: só acertei todos classificados em três grupos (1, 4 e 6). O maior erro foi no Grupo 3, em que apostei no Junior Barranquilla e na Universidad Católica – os dois foram eliminados por Unión Española e Bolívar. Ao todo, foram dez times acertados, o que resulta em mais de 50% de acerto. Ou seja, não há tanto espaço para zebras nessa Copa Libertadores.

O time que mais surpreendeu foi o Atlético Nacional, mas era impossível prever que ele funcionaria tão bem rapidamente. Bons jogadores foram contratados de última hora e a equipe funcionou, deu liga e embalou. Mas, entre as outras equipes, poucas novidades apareceram e já dá para imaginar as quartas de final pegando fogo, com duelos como Corinthians x Vasco. Mas é claro que antes disso é preciso falar de cada jogo das oitavas…

Fluminense x Internacional

Esse jogo será um dos principais destaques dessa fase. Tem tudo para ser um duelo equilibrado, com bom futebol e muita emoção… mas para isso é preciso que as duas equipes realmente mostrem seu potencial, o que não tem acontecido em toda temporada. As duas provavelmente terão desfalques de jovens importantes (Wellington Nem e Oscar), mas ambas têm um elenco forte e boas opções.

Unión Española-CHI x Boca Juniors-ARG

O time chileno se classificou por causa da incompetência de seus rivais. Não tem futebol para estar onde está e por isso o Boca vai tratar de eliminá-lo sem problemas. O time argentino ainda não está brilhante, mas terá uma boa oportunidade para ganhar moral e evoluir antes de enfrentar sua primeira pedreira, seja Flu ou Inter.

Libertad-PAR x Cruz Azul-MEX

O time mexicano decepcionou. Imaginei que seria uma equipe mais forte, mas mostrou pouca qualidade e só se classificou porque estava no grupo mais fraco da Libertadores. Já a equipe paraguaia me surpreendeu positivamente. Tem bons atletas e costuma apresentar uma proposta de jogo bem definida, com disciplina e sempre com velocidade. Realmente o Libertad tem criado uma tradição recente na Libertadores e pode surpreender dessa vez.

Universidad de Chile-CHI x Deportivo Quito-EQU

Virou moda dizer que “a La U não é mais tudo isso”. Porém, o que significa isso? É claro que o time não é mais o mesmo do ano passado, mas a proposta de jogo está intacta e segue sendo bem cumprida pelos atletas que ficaram lá. Se falta um grande brilho individual, como era Vargas, sobra entrosamento. O Deportivo Quito até tem uma equipe interessante e deve dar trabalho, mas os chilenos ainda são tudo isso sim.

Santos x Bolívar-BOL

A altitude consegue atrapalhar alguns times na fase de grupos, mas no mata-mata ela é pouco decisiva. Como o Bolívar tem pouco a oferecer além disso, não deve fazer frente ao Santos. Com a decisão em casa, o time de Neymar e companhia deve usar o time boliviano como preparação para um confronto extremamente duro nas quartas, contra Vélez ou Nacional.

Vélez Sársfield-ARG x Atlético Nacional-COL

Será o outro grande destaque das oitavas. Prevejo partidas com muitos gols, pois o ataque é forte demais dos dois lados, enquanto as defesas não são tão confiáveis assim. O time argentino parece ter mais consistência, mas os colombianos são destemidos, não têm nada a perder e devem arriscar bastante. Com certeza vem emoção pela frente.

Lanús-ARG x Vasco

A caminhada do Vasco nessa Libertadores tem sido complicada. Depois de passar por um grupo difícil, será o time brasileiro que vai enfrentar o estrangeiro mais forte. O Lanús tem uma equipe bem estruturada, com uma tática bem definida, além de um grande destaque individual, o perigoso Regueiro. O Vasco tem qualidade e experiência para se classificar, mas precisa ficar atento.

Corinthians x Emelec-EQU

Já o Corinthians pode até amolecer contra o Emelec que vai se classificar mesmo assim. O time equatoriano mostrou poucas qualidades além da raça para se classificar. Mas isso é pouco para as oitavas da Libertadores. Os corintianos estão embalados e não vejo possível uma tragédia nesse duelo.

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Nem tudo está perdido, Messi

Nem tudo está perdido, Messi

É tão raro o Barcelona perder jogos decisivos que, quando isso acontece, merece ser estudado. Porém, a derrota do time catalão para o Chelsea, nesta quarta-feira, trouxe poucos ensinamentos. O time inglês apostou em uma retranca legítima, com apenas Drogba isolado no ataque. Deu certo e nada pode tirar os méritos dessa vitória em plena semifinal da Liga dos Campões. Mas é errado dizer que a tática do Chelsea deu certo contra o Barcelona.

Não deu certo porque o Barcelona teve 72% de posse de bola. Não deu certo porque o Chelsea acertou apenas um chute a gol. Não deu certo porque o Barcelona acertou dois chutes na trave. Não deu certo porque o goleiro Petr Cech teve que fazer milagres. Não deu certo, acima de tudo, porque a semifinal da Liga dos Campeões é disputada em dois jogos. E se o Chelsea repetir essa mesma tática no Camp Nou, vai perder por muito mais de um gol de diferença e será eliminado.

Ou seja, o Chelsea não encontrou uma solução para deter esse incrível time do Barcelona. Ele apenas fez o que outros já tentaram, mas teve a sorte que nunca tiveram. É uma retranca eficiente, é legítima e às vezes necessária. Mas o sucesso disso não vai se repetir na Espanha. O Barcelona tem futebol de sobra para recuperar o prejuízo, enquanto o Chelsea tem pouco a evoluir. O time inglês fez uma temporada ruim, melhorou sob o comando interino de Roberto Di Matteo, mas está longe de ser uma equipe pronta e confiável.

É diferente, por exemplo, do que acontece na outra semifinal da Liga dos Campeões. O Bayern de Munique mostrou que sabe enfrentar o Real Madrid. Explorou um ponto fraco do time espanhol, a lateral-esquerda da defesa, e conseguiu a vitória com algum domínio de jogo e consistência. Ainda não é favorito, mas pode até repetir a mesma tática no jogo de volta e se classificar.

Já o Chelsea, se fizer isso, vai dar adeus e se contentar com a vitória em um jogo isolado. É possível vencer um jogo assim, mas não dois. Contra o Barcelona é preciso estudar outras variações estratégicas. É preciso ser quase tão genial e preciso quanto o time catalão é. Mas o Chelsea esteve longe disso nesta quarta-feira. E nada indica que vá conseguir na próxima terça.

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Agosto de 2010 – tracei meu primeiro objetivo como corredor: completar bem a Corrida de São Silvestre. Consegui no dia 31 de dezembro de 2010.

Janeiro de 2011 – empolgado por aumentar as distâncias, traçei o segundo objetivo: completar bem uma Meia Maratona (21k). Fiz duas, inclusive uma no RJ, além da Corrida de 25k na Maratona de São Paulo.

Agosto de 2011 – por um problema no joelho, tive que diminuir o ritmo, mas não reduzi a velocidade. Tracei como objetivo fazer 10k em menos de 50 minutos. Consegui isso em novembro de 2011.

Quando 2012 começou, eu precisava de um novo objetivo. Algo que me animasse, desafiasse e motivasse. Algo que me tirasse da cama às 5h da manhã. Algo que me levasse para a academia, me obrigasse a comer melhor e manter meus cuidados com a saúde. Seria também algo que, mais uma vez, me faria perder festas, baladas e saídas com amigos. Não é fácil abrir mão de tudo isso. Então tinha que ser algo para realmente valer a pena.

Através do Luiz Zilli, meu primeiro treinador, professor e mestre nas corridas, surgiu a Patagonia Run. A E-Corpus já estava com tudo programado e eu me intrometi de última hora. Tive três meses para fazer a preparação específica da prova. Não era pouca coisa: seria minha primeira corrida de montanha, meu retorno aos 21k, debaixo de muito frio, com alguma altitude, fora do Brasil, etc… Mas teria outros pontos positivos, inclusive vários que só descobri lá.

Sorriso congelado pelo frio

Sorriso congelado pelo frio

Após os três meses de preparação, cheguei em San Martín de los Andes na noite de sexta-feira. Dormi e parti ansioso para o desafio. O primeiro obstáculo foi o frio. Arrisquei sair do chalé antes de amanhecer, só para sentir o drama. Fiquei assustado e cogitei correr de calça e jaqueta, mas desisti. E acertei: o sol chegou, o vento diminuiu e a temperatura aumentou. Bastavam três camisetas, manguito, toca, luva e short para se proteger. “Só” isso.

Era a hora de ver se realmente valeu a pena. Era a hora de mostrar que eu podia. A largada foi empolgante, com boas músicas e ótima companhia. Mas o maior desafio veio logo depois: o começo da corrida foi assustador. Eu já tinha estudado o mapa de altimetria, mas mesmo assim fiquei surpreso. Com duas subidas intermináveis no 3º e no 6º quilômetro, as dores logo se apresentaram. E elas vieram rápidas, intrometidas e incovenientes. Todos andavam, era impossível correr, mas mesmo assim as pernas doíam demais. “Se for assim o tempo todo, não vou aguentar”, pensei.

Não era. Passado o inferno, logo lembrei porque eu iria aguentar até o fim: no topo da montanha, surgiu o Paraíso, pois vi as primeiras paisagens impressionantes. A bateria da minha câmera fotográfica acabou rápido, mas pouco importa. Nem as fotos conseguem descrever o quão bonito é ver aquilo de perto. Natureza por todos lados, altas montanhas, todos tipos de vegatação, com sol e neve ao fundo. Por que não ficar ali? Não seria melhor parar, relaxar, respirar, admirar e aproveitar?

Não. Jamais. Parar era uma tentação, mas não uma opção. Até porque logo vieram as primeiras descidas, onde a corrida começou de verdade. O primeiro impulso foi de deixar o corpo cair e acelerar para recuperar o tempo perdido nas subidas. Mas logo veio um alerta: um corredor caiu na minha frente. Ele vinha rápido demais, escorregou e caiu de bunda. Foi apenas um susto e uma lição, porque ele se levantou rápido e continuou na minha frente. Deve estar com dores no quadril até hoje, mas segue a corrida…

Outro obstáculo comum eram os riachos. Entre uma subida e outra, tinham trechos em que era preciso pisar em pedras para não encharcar o tênis. Mas eu não consegui: a água gostou tanto do meu tênis novo que quis ficar com um deles. Afundei o pé e levantei sem nada além da meia. Quando olhei para trás, só vi um cadarço laranja. Levantei, tirei e calcei. Pé quente, água fria, nada agradável. Mas isso era muito pouco para me atrapalhar. Fui embora…

10, 11, 12, 13, 14, 15 quilômetros… a paisagem mudava demais a cada metro, ficava cada vez mais bonita e só fazia eu me sentir melhor. Estava bem demais quando passei no último ponto de hidratação. Encontrei meu treinador Zilli e uma surpreendente notícia: eu era o primeiro da E-Corpus a passar ali. Não esperava isso, tanto que logo vieram mais dois companheiros na cola. Seguimos juntos enquanto deu. Mas o Cassio começou a sentir dores. O Roque era o melhor dos três, mas torceu o tornozelo na minha frente. Foi uma sacanagem. Pouco pude ajudar e segui correndo…

Meu problema também viria logo. Surgiram algumas contrações na panturrilha direita. Eram indícios de cãibras que estavam por chegar. Bastava um movimento mais estranho e eu sentia a perna puxar. Reduzi a velocidade mesmo nas descidas. Depois que saímos das montanhas, já no quilômetro final, ainda não tinha certeza de que iria completar a prova. Os princípios de cãibra estavam cada vez mais frequentes e agora também na outra perna. Mas era preciso insistir. Reduzir e insistir.

E então veio a reta final e, junto com ela, a certeza de que eu completaria a corrida. Afinal, mesmo se faltasse perna, eu viraria de ponta-cabeça e alcançaria “la meta”. Porque a emoção de ver a linha de chegada era forte demais. Fernando, um amigo que completou pouco depois, chorou ao ver aquela cena. Confesso que cheguei perto disso. Mas o sorriso foi maior que as lágrimas. Nunca tinha visto tanta gente apoiando nos metros finais. Eram muitos aplausos, vibração, energia, sorrisos, apoio e reconhecimento. Não era possível que eu ia ter uma cãibra ali, na frente de todo mundo. Não tive. Cruzei a linha de chegada depois de 2 horas e 47 minutos. Foi o melhor tempo da E-Corpus nos 21km. Mas são números que pouco importam. Na hora nem olhei para o cronômetro. Só queria comemorar por ter completado, me superado e por tudo que aprendi.

Fiquei próximo da linha de chegada por um longo tempo. Foi possível ver em outros rostos a mesma emoção que eu senti. É uma sensação única para qualquer um. Melhor ainda para o vencedor dos 100km, que eu encontrei depois da chegada. Ele tinha largado de madrugada, sob temperatura negativa, e completou essa prova maluca em cerca de 12 horas. Estava quebrado, com dificuldades para andar, mas com sorriso no rosto, tranquilo, sereno, feliz… isso chama-se sensação de dever cumprido. Não fizemos 100km, mas vi essa sensação no rosto de todos da E-Corpus. Um a um, todos chegaram, completaram bem e atingiram seus objetivos. Comemoramos juntos à noite e merecemos cada pizza comida, cada pão, cada vinho e cerveja.

Depois da festa, coloquei a cabeça no travesseiro e veio uma última preocupação. “E agora? Qual vai ser o próximo objetivo?”. Não tenho a resposta ainda. Mas tenho uma certeza: eu vou conseguir. A Patagonia me mandou essa mensagem: EU POSSO TUDO. Se eu cheguei até lá, EU POSSO TUDO. Que seja uma lição não só para a corrida, mas para a vida. E que seja uma lição não só para mim, mas para todos.

Eu pude. Eu posso. Todos podemos

Eu pude. Eu posso. Todos podemos

Obs: esse ainda é um blog de futebol. Voltarei com a programação normal em breve.

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Caro Andrés Sanchez,

O senhor é um brincalhão, todos sabemos. Desde que era presidente do Corinthians, sua palavra nunca foi levada a sério. Simplesmente porque o senhor costumava mentir sobre tudo que pudesse. Quem é jornalista sabe: se você dizia que não ia contratar determinado jogador, já era possível imaginar tal jogador apresentado no dia seguinte. Normal, o segredo faz partes dos negócios. Nós, jornalistas, não gostamos, mas entendemos.

Porém, agora o senhor é Diretor de Seleções da CBF. Um cargo que deveria ter mudado sua postura como dirigente. Porém, ainda não consigo levar a sério sua palavra. Um pouco pelo seu histórico no Corinthians, mas também pelas bobagens que o senhor tem falado recentemente. A maior delas veio no último domingo, no programa Mesa Redonda. Aliás, corrijo: não foi só uma bobagem. Foram várias. Explico…

Ao comentar sobre o histórico futebol que o Barcelona tem apresentado ultimamente, o senhor questionou e respondeu: “O que eles ganhavam cinco, seis anos atrás? Nada”. Pois eu lhe corrijo: há seis anos, em 2006, o Barcelona ganhava a Liga dos Campeões. O time não era o mesmo, o técnico não era o mesmo, mas um embrião estava formado. O futebol ofensivo daqueles tempo é o mesmo que encanta atualmente.

As suas bobagens não pararam por aí. O senhor ainda disse: “E o que vão ganhar daqui cinco, seis anos? Nada, porque Xavi, Iniesta, Messi e tudo mais vão parar de jogar”. Não sei prever o futuro e pode ser até que o Barcelona não ganhe tudo em 2018. Mas tenho certeza que ele terá um time forte. Porque trata-se de uma equipe que não para de se renovar. Basta ver o número de revelações nas últimas duas temporadas. Tello, Cuenca, Thiago Alcantara e outros jovens têm ganhado espaço para futuramente serem protagonistas. Acho mais fácil prever que, daqui a seis anos, Messi terá 30 anos e comandará esse renovado time na conquista de mais títulos.

Seu argumento para defender as bobagens que disse foi terrível: “eu já fui pra lá e não vi o time jogar igual ao profissional, ainda perderam de 2 a 0 para o sub-17 do Corinthians”. Se o seu argumento é o resultado, você entendeu tudo errado mesmo. O Barcelona é muito maior do que isso. É “més que un club”, esqueceu? Nas categorias de base o importante não é vencer, mas sim revelar.

Para piorar, o senhor ainda soltou a seguinte frase: “isso daí de que o Barcelona tem uma escola de futebol, que todo mundo joga igual, é tudo balela”. Foi a frase mais ironizada na última segunda-feira e assim será por muito tempo. Assim que a Seleção Brasileira pagar mais um mico, virão dizer que a verdadeira “balela” é a Seleção Brasileira. E todos terão razão.

O correto, senhor Andrés, seria fazer como fez Muricy Ramalho há poucas semanas. Ele admitiu que o Santos aprendeu a jogar melhor depois que enfrentou o Barcelona no Mundial de Clubes. Quem viu o jogo sabe que foi uma aula de futebol. Ainda em campo, até mesmo o inexperiente Neymar admitiu isso. Meses depois da derrota, segundo Muricy, seus jogadores tentaram aprender com seus próprios erros e, acima de tudo, absorver o que o Barcelona ensinou.

É o que o senhor, Andrés, devia fazer. Ao invés de falar bobagens, deveria aprender com o Barcelona. Não para imitá-lo, porque isso seria impossível. Mas para conseguiur uma identidade de volta para a Seleção Brasileira. É preciso reinventar nosso futebol, já escrevi sobre isso neste blog. Porém, enquanto o futebol mundial evolui, nós temos desprezado o crescimento de nossos rivais. Espero que seu desprezo, Andrés, não seja verdadeiro. Mais uma vez não vou levar a sério o que você disse. Torço para que seja só mais uma balela.

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Eu sei que para alguns é inevitável. Para outros é tentador. Mas, para mim, discutir arbitragem de futebol é algo extremamente chato. Chato e inútil. Não vai mudar absolutamente nada e pouco vai acrescentar sobre qualquer análise de jogo. Por isso, depois da polêmica vitória do Barcelona contra o Milan, nesta terça-feira, prefiro me aprofundar no futebol das equipes que ainda estão vivas na Liga dos Campeões.

Muito além dos pênaltis, é preciso entender que o Barcelona mereceu a vitória no Camp Nou. Apesar do Milan ter provado, como eu já tinha escrito aqui, que realmente pode fazer confrontos equilibrados contra o melhor time do mundo, não foi dessa vez que tudo deu certo para o time italiano. Na verdade a goleada do Barça poderia ter sido ainda maior, com pênaltis ou sem eles.

Dito isso, é preciso olhar para o que o Barça tem feito na temporada: uma profunda renovação tem acontecido no time catalão. E não digo isso só por causa dos novos jogadores que têm ganhado espaço no elenco. Mas principalmente pelas mudanças táticas. O melhor time dos últimos anos, aquele que será lembrado por toda a história, tem passado por uma metamorfose e tem gente que prefere discutir arbitragem, se foi pênalti ou não, se estava impedido ou não, etc… Enfim, bola para frente.

O site "ZonalMarking.net" ilustrou bem o 3-3-4 do Barcelona contra o Milan

O site "ZonalMarking.net" ilustrou bem o 3-3-4 do Barcelona contra o Milan

A grande mudança do Barcelona é tática. Aos poucos, Guardiola tem aposentado o 4-3-3 e implementado um curioso esquema tático que pode ser chamado de 3-4-3 ou até 3-3-4. É “curioso” porque o forte dessa tática é a movimentação dos jogadores. O ala Daniel Alves parece mais um atacante. O atacante Messi por vezes busca a bola no meio-campo. O volante Busquets pode fechar como um zagueiro e refazer a linha de quatro defensores. O meia Fabregas costuma avançar como um atacante para finalizar. E por isso é tão difícil analisar o Barcelona. E por isso é tão difícil marcar o Barcelona.

Mas difícil não é impossível. Esse novo Barcelona também tem seus pontos fracos, tanto que está atrás do Real Madrid no Campeonato Espanhol. A formação com três zagueiros ainda não está bem alinhada. Além disso, dois times já mostraram algumas estratégias que podem funcionar: o Real mostra, a cada clássico, que pressionar a saída de bola do Barcelona é necessário. Nem que seja por 15, 20 ou 30 minutos. Já o Milan provou, em seus quatro jogos nesta Liga dos Campeões, que o contra-ataque é fundamental. Pois só assim é possível encontrar o Barcelona desarmado, mal posicionado e vulnerável.

Além disso, é preciso lembrar que do outro lado da chave da Liga dos Campeões existem Real Madrid e Bayern de Munique. São times que farão um grande confronto na semifinal e depois podem sim ganhar do Barcelona na decisão – não acredito que Chelsea ou Benfica conseguirão parar o Barça. E é isso que precisa ser valorizado: os grandes jogos, os grandes confrontos e os grandes times. As péssimas arbitragens eu deixo de lado…

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