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Posts Tagged ‘Brasileirão 2011’

Os estaduais são cada vez mais inúteis para o futebol brasileiro. Servem mais para queimar a pré-temporada, iludir times grandes e causar demissões de treinadores. Nesta temporada não foi diferente e por isso o Opiniões em Campo teve poucas análises destas competições. Prefiro fazer agora um balanço geral do que aconteceu com cada time e assim se preparar para o campeonato que importa: que venha o Brasileirão!

Troféu do Brasileirão/ Alexandre Battibugli

Por ordem de favoritismo ao título, segue rápidas análises dos 20 times abaixo:

Santos e os favoritos da Vila
Desempenho no Estadual: tricampeão paulista
Condição no Brasileirão 2012: principal favorito ao título
Elogiar Neymar é desnecessário. Exaltar a categoria rara de Ganso é repetição. Mas o Santos tem ido além dos seus craques. Ao contrário de 2011, o time agora parece ter também um jogo coletivo que funciona. A equipe está mais forte, mais preparada e mais entrosada. Tem defeitos na defesa, mas para superar isso existem… Neymar e Ganso, é claro.

Corinthians e sua Titeabilidade
Desempenho no Estadual: eliminado nas quartas
Condição no Brasileirão 2012: favorito ao título
É impossível olhar para o Corinthians atual e não lembrar do seu treinador. Afinal, ele conseguiu fazer um time organizado taticamente como poucos no Brasil. Não há brilho, não há show, não há espetáculo. Mas há eficiência e é isso que importa. É verdade que não há uma estrela, um craque, alguém para resolver. Mas em 2011 isso não fez tanta falta…

Fluminense, o melhor elenco do Brasil
Desempenho no Estadual: campeão carioca
Condição no Brasileirão 2012: favorito ao título
Não há um time no Brasil com tantos reservas de qualidade. Rafael Sóbis, Rafael Moura, Wagner e Jean, por exemplo, são jogadores que poderiam ser titulares na maioria dos clubes da Série A. Além disso, existem muitos atletas experientes. O único problema realmente é a defesa, mas Abel Braga tem qualidade para melhorar esse ponto.

Vasco modificado
Desempenho no Estadual: vice nos dois turnos do Carioca
Condição no Brasileirão 2012: bem, mas em queda
Não é o mesmo time que terminou tão bem o Brasileirão de 2011. O Vasco perdeu parte da sua organização tática, perdeu opções no banco e perdeu confiança. A qualidade ainda existe, é claro, mas o time precisa de um fato novo para se empolgar novamente e entrar nos eixos – pode ser uma contratação ou uma grande vitória. Mas do jeito que está o time não brigará pelo título.

A incógnita Internacional
Desempenho no Estadual: campeão gaúcho
Condição no Brasileirão 2012: mal, mas em possível ascensão
Foi-se o tempo em que o Inter tinha um dos melhores elencos do Brasil. Atualmente, depende demais do trio Oscar, D’Alessandro e Leandro Damião. Como os três não tiveram um bom começo de temporada, por um motivo ou outro, o Inter está uma verdadeira bagunça. Porém, se todos se recuperarem, Dorival tem potencial para colocar o time em ordem e fazê-lo brigar pelo título.

A hora do São Paulo
Desempenho no Estadual: eliminado na semifinal
Condição no Brasileirão 2012: mal, mas em possível ascensão
Foi um começo de ano conturbado para o São Paulo, com lesões, mudanças e crises, mas o time sobreviveu do jeito que pôde. Agora chegou a hora de arrumar a casa e há potencial para que o time deslanche. Do meio para frente existem talentos como Lucas e Luís Fabiano, mas Leão ainda precisa definir melhor se vai jogar dois ou três atacantes. E o pior é resolver a defesa, de preferência com contratações.

Iludidos do Atlético-MG
Desempenho no Estadual: campeão mineiro invicto
Condição no Brasileirão 2012: deve brigar por vaga na Libertadores
É preciso tomar cuidado para não se iludir com o resultado do Campeonato Mineiro. De fato o time de Cuca evoluiu em relação ao ano passado e pode ir longe se souber reconhecer suas limitações, mas ainda não está entre os melhores do Brasil. O fracasso na Copa do Brasil, contra o Goiás, mostrou que o time ainda tem muitos problemas.

Zebra da Bahia
Desempenho no Estadual: campeão baiano
Condição no Brasileirão 2012: possível surpresa
É a principal novidade do ano. Depois da saída de Joel Santana, a chegada de Falcão mudou a equipe. O Bahia foi campeão com um futebol interessante, de criatividade e boas jogadas. Ainda falta mais confiabilidade, principalmente na defesa, mas com certeza vai dar trabalho para times grandes.

O limitado Botafogo
Desempenho no Estadual: vice-campeão carioca
Condição no Brasileirão 2012: se melhorar, briga pela Libetadores
Não há palavra que defina melhor o Botafogo atualmente: “limitado”. O time é assim, o elenco é assim e dessa forma será a campanha do time no Brasileirão. Se não vierem contratações de impacto, é difícil ver o time evoluir. E ainda há o risco de Oswaldo ser demitido por causa da Copa do Brasil…

Desequilíbrio gremista
Desempenho no Estadual: vice do 2º turno
Condição no Brasileirão 2012: se melhorar, briga pela Libetadores
Há um grande desequilíbrio no elenco do Grêmio. Enquanto algumas posições estão bem servidas, outras têm carências graves. Mas a qualidade ofensiva deve ajudar o time a não fazer feio no Brasileiro. Ir além disso depende de contratações, de desempenhos individuais e do próprio treinador Luxemburgo, que atualmente só gera desconfiança.

O mediano Coritiba
Desempenho no Estadual: campeão paranaense
Condição no Brasileirão 2012: vai surpreender se brigar pela Libetadores
É um time seguro, mas não mais do que isso. Não vai lutar contra o rebaixamento, mas vai surpreender se conseguir mais do que isso. O melhor setor do time é a defesa, algo raro nos times brasileiros. Mas no ataque falta brilho para o time ir além.

Flamengo e suas crises
Desempenho no Estadual: no máximo semifinalista de um turno
Condição no Brasileirão 2012: medo de lutar contra o rebaixamento
O time até tem estrelas e alguma qualidade para sonhar com algo maior no Brasileirão. Porém, o conturbado ambiente da Gávea só atrapalha. Não creio que a chegada de Zinho irá resolver algo e ter que lutar contra o rebaixamento não seria uma surpresa.

Palmeiras e sua crise eterna
Desempenho no Estadual: eliminado nas quartas
Condição no Brasileirão 2012: medo de lutar contra o rebaixamento
Vive situação parecida com a do Flamengo, com o agravante de que a crise interna parece ser ainda pior. A possível queda de Felipão pode complicar ainda mais o time, que já flertou com o rebaixamento na temporada passada e pode correr riscos novamente.

O rebaixado Cruzeiro
Desempenho no Estadual: eliminado na semifinal
Condição no Brasileirão 2012: deve lutar contra o rebaixamento
O Cruzeiro esqueceu que não caiu em 2011. Apesar de ter corrido sérios riscos, o time se livrou. Porém, montou um time ainda pior e ainda ficou sem técnico antes do início do Brasileirão. Mesmo que chegue Pep Guardiola para treinar a Raposa, terá dificuldades para salvar o time do rebaixamento.

Figueirense sob nova direção
Desempenho no Estadual: vice-campeão
Condição no Brasileirão 2012: deve lutar contra o rebaixamento
Assim como fez em 2011, tinha tudo para surpreender novamente nesta temporada. Porém, deixou o Estadual lhe atrapalhar – após a derrota na final do Catarinense, saiu o técnico Branco e entrou Argel no comando. Não parece ser alguém pronto para comandar o time no momento, então prevejo dificuldades nesse começo de Brasileirão.

Sport sem comando
Desempenho no Estadual: vice-campeão
Condição no Brasileirão 2012: deve lutar contra o rebaixamento
O técnico Mazola Junior nunca me convenceu. Neste ano, ele exagerou nos teste e mudanças, por isso acabou demitido e deixou uma herança complicada para quem assumir a equipe. O começo do Sport no Brasileirão deve ser ruim e isso deve gerar um prejuízo complicado.

Uma Ponte irregular
Desempenho no Estadual: eliminado na semifinal
Condição no Brasileirão 2012: deve lutar contra o rebaixamento
Aesar da boa campanha no Paulista, a Ponte não convenceu. Foi extremamente irregular e tem jogadores que não devem aguentar a pressão da Série A. Além disso, ainda deve perder peças importantes. Portanto, com uma reconstrução durante o campeonato, o bom treinador Gilson Kleina terá trabalho para manter o time na primeira divisão.

Atlético-GO abaixo da média
Desempenho no Estadual: vice-campeão
Condição no Brasileirão 2012: deve lutar contra o rebaixamento
Apesar do título no Estadual não ter acontecido, foi um bom começo de ano para o Atlético-GO. Aparentemente, Adilson Batista está bem no comando do time e não deve se perder, como fez em outros trabalhos. O problema realmente é a limitação do elenco. Falta qualidade para o Atlético-GO sonhar com algo mais além de permanecer na Série A

Náutico em reforma
Desempenho no Estadual: eliminado na semifinal
Condição no Brasileirão 2012: rebaixado
Após um péssimo começo de temporada, Alexandre Gallo é o técnico responsável por tentar a recuperação do Náutico para o Brasileirão. Ele nunca mostrou competência para ter sucesso em uma missão tão árdua quanto essa. Vai ser um time que vai alternar altos e baixos, sem nunca conseguir se livrar de verdade da zona de rebaixamento

A rebaixada Portuguesa
Desempenho no Estadual: rebaixado para a segunda divisão
Condição no Brasileirão 2012: rebaixado
É impossível ter outra expectativa da Portuguesa a não ser a queda para a segunda divisão nacional. Após cair para a Série A2 no Estadual, será difícil demais o time recuperar a confiança e surpreender no Brasileirão. Para piorar, o técnico escolhido para essa missão, Geninho, parece cada vez mais antiquado

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É a negociação mais chata do futebol brasileiro nesse período de transferências: a possível saída de Montillo, do Cruzeiro, para Corinthians ou São Paulo, tem virado aquela novela chata que ninguém mais aguenta acompanhar. É cabível até questionar se o argentino vale todo esse barulho. Mas é preciso também enxergar além do que essa negociação pode significar.

É inegável que o futebol brasileiro tem entrado em uma nova Era recentemente. Com a estabilidade ecônomica do País e eventos como Copa e Olimpíada, os times passaram a receber mais dinheiro, tanto de empresas quanto da Rede Globo. Tudo isso trouxe benefícios para o Brasileirão, que foi ótimo em 2011 e deve ser melhor ainda em 2012. Porém, a longo prazo, há uma consequência preocupante disso tudo.

O que causa temor é a diferença de dinheiro recebido pelos times de Rio de Janeiro e São Paulo. Com a maior concentração de renda nesses estados e a negociação individualizada dos direitos de imagem, atualmente existem oito clubes que têm um orçamento maior do que os outros.

Dessa forma, não é difícil imaginar qual é a tendência do futebol brasileiro: como o dinheiro manda no futebol, logo esses oito clubes, com uma ou outra exceção, dominarão completamente o campeonato nacional.

Mesmo em 2011 a tabela do Brasileirão chegou a refletir isso em alguns momentos. Tanto que os três times mineiros só lutaram contra o rebaixamento. E é nesse ponto que voltamos ao caso Montillo. Explico…

Se o Cruzeiro for incapaz de segurar um jogador do porte de Montillo, o que parece cada vez mais provável, vai dar mais um sinal claro de que o futebol brasileiro deve ficar concentrado no eixo Rio-SP. Não só pelo que o argentino vai fazer em campo. Mas por toda uma questão simbólica, já que os times de outros estados parecem estar sempre um passo atrás. Sobretudo por uma questão financeira mesmo.

Não é o primeiro sinal dessa mudança no Brasil: o próprio Cruzeiro já teve que vender Henrique e Jonathan, antes titulares, para o Santos; o Grêmio perdeu Ronaldinho Gaúcho para o Flamengo; o Vasco tirou Diego Souza do Atlético-MG. E por aí vai…

Claro que ainda é pouco para cravar que o futebol brasileiro será dominado pelos times de Rio e São Paulo. Mas os sinais começam a aparecer lentamente e só não vê quem não quer. Caso isso se concretize, o que seria lamentável, não poderão dizer que não avisei.

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Foi na raça. Não foi na técnica. Liédson não é craque. Paulinho não é craque. Alex e Danilo também não. São todos bons jogadores, que tem habilidade de menos, mas coração de mais. Mesmo sem fôlego, às vezes contundidos, eles ganharam jogos nos minutos finais. Foi na superação.

Foi na raça. Não existia ali um Neto, um Marcelinho Carioca, um Edílson ou um Tévez. Mas existiu sim solidariedade e união. E times campeões também se fazem disso. Esse elenco de 2011 não era fantástico e não será lembrado por isso. Mas nem precisa, pois ainda assim será inesquecível.

Foi na raça. Não foi na tática. Tite é sim um bom treinador e, como ele mesmo disse, sabe muito de esquemas táticos. Mas, apesar de ter acertado muito, ele também errou demais. E parece que até os erros deram certo. Vai entender! É a inexplicabilidade do futebol.

Tite é campeão no Corinthians

Que emocionabilidade, Tite!

Foi na raça. E foi contra o maior rival. Mesmo sem vitória, a provocação foi garantida. Mesmo sem brilho, o Pacaembu explodiu. Mesmo sem gol, a comemoração foi grande. E com esse tempero especial de domingo não poderia ser diferente. Tem que festejar mesmo!

Foi na raça. E foi histórico. Porque foi em um campeonato que marcou uma nova era para o futebol brasileiro. Uma era de prosperidade, de evolução, de avanço. Mas que também pode ser uma era de segregação, em que os grandes vão ficar bem maiores que os pequenos. Mas com uma certeza: o Corinthians estará sempre entre os gigantes.

Foi na raça. E foi em homenagem a Sócrates. Um tributo honesto, bonito e justo. O Doutor não merecia mesmo que os corintianos ficassem tristes no dia em que ele partiu. E também não havia time no mundo que merecesse sofrer tanto em um só dia. Por isso o título virou realidade. Para fazer tudo valer a pena.

Foi na raça. Teve bola na trave, teve briga, teve emoção até o último minuto da última rodada. Mas dizem que a torcida prefere assim. Então foi do jeito que eles gostam. E isso é o mais importante.

Parabéns, Corinthians, pela raça na busca pelo título do Brasileirão 2011!

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O Vasco perdeu a Copa Sul-Americana nesta quarta-feira. E tem tudo para perder também o Campeonato Brasileiro, no próximo domingo – sempre apostei no Corinthians e insisto nesse palpite. Mas o Vasco já ganhou algo muito mais importante nesta temporada. E não foi só a Copa do Brasil, claro. Foi o respeito. O Vasco renasceu em 2011 e voltou a ser o grande time que nunca deveria ter deixado de ser.

Dedé no Vasco

A raça de Dedé é a cara do Vasco em 2011

Acima de tudo, o Vasco conseguiu isso por causa da garra, superação e intensidade dos seus jogadores. Foi com o coração, e nem sempre com a técnica, que eles conseguiram surpreender durante o ano todo.

Afinal, em janeiro era impossível imaginar que o Vasco se acertaria. Mas Ricardo Gomes chegou, arrumou o time e ficou impossível imaginar que o time disputaria também o título do Brasileirão. Mas logo isso se tornou realidade e ficou impossível imaginar que ir longe na Copa Sul-Americana também seria um objetivo do time. Mas isso aconteceu e os jogadores provaram que seria difícil pará-los.

Nem um AVC conseguiu. Afinal, a tragédia com Ricardo Gomes foi superada de uma forma exemplar por todos, principalmente pelo técnico interino Cristóvão Borges. Eles encararam o problema como motivação e criaram a história mais bonita do futebol brasileiro em 2011.

Mas é claro que o Vasco não é feito só de garra, transpiração e inspiração. É feito também de uma interessante mistura de jovens e experientes. A comissão técnica soube utilizar veteranos, como Felipe e Juninho, da maneira certa: sem dar a eles toda a responsabilidade de carregar o time ao sucesso. E estes com certeza ajudaram os vários jovens de qualidade do Vasco, como Dedé, Rômulo, Allan, Bernardo, Fágner, etc…

Esse não é um texto de consolo para o eliminado e cansado Vasco. É uma homenagem antecipada. Até porque, com esse Vasco grande e recuperado, é melhor não duvidar de nada. Se o Vasco levar o título do Brasileirão 2011 no domingo, vai apenas coroar esse renascimento. E se não levar… o mais importante já está conquistado e ponto final.

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Há quase dez anos, a grande questão do Campeonato Brasileiro era sobre seu modo de disputa. “Mata-mata ou pontos corridos?”, todos se perguntavam. O tempo passou e hoje essa se tornou uma questão quase esquecida. Isso porque rodadas como a deste domingo, a 37ª do Brasileirão 2011, provam como a fórmula dos pontos corridos é muito melhor.

Em primeiro lugar, por causa da emoção. Impossível não ficar tocado com tudo que aconteceu na penúltima rodada do campeonato. Em um momento, tínhamos o campeão e os rebaixados definidos. Segundos depois, nada disso estava resolvido. E o melhor: tudo foi adiado para domingo que vem, quando teremos ainda mais emoção.

Adriano comemora gol pelo Corinthians

Digam para o Adriano que campeonato de pontos corridos não tem emoção

Em segundo lugar, por causa da organização do futebol brasileiro. É inegável a evolução dos times nacionais nos últimos anos. Eles têm superado até a incompetência da CBF para fazer um campeonato que é cada vez melhor. Temos um bom nível técnico, temos craques jovens, temos craques experientes repatriados, temos um campeonato forte de verdade.

Espécies em extinção, os defensores do mata-mata costumam dizer que o futebol precisa daquele grande jogo, a grande final, a grande decisão. Pois eu prefiro ver vários grandes jogos, como tem acontecido no Brasileirão. Ao longo da competição, tivemos várias partidas inesquecíveis, como Flamengo 5 x 4 Santos, Fluminense 5 x 4 Grêmio, Grêmio 4 x 2 Flamengo, Vasco 2 x 2 Corinthians e tantos outros.

E o melhor de tudo é que ainda foi encontrada uma solução para um problema que realmente incomodava nos pontos corridos. Com os clássicos nas últimas rodadas, diminuiu bastante a chance de um time entregar um jogo para prejudicar um rival. E ainda abriu hipótese para criação de jogos fenomenais, como será o Atletiba do domingo que vem. Um clássico com cara de mata-mata, já que com certeza um dos dois paranaenses vai sair destruído do jogo.

É claro que o mata-mata tem sua graça. Mas para lembrar disso temos os estaduais, a Copa do Brasil, a Libertadores e a Sul-Americana. Deixem o Brasileirão como está. Viva os pontos corridos!

Bernardo chora no Vasco

Digam para o Bernardo que campeonato de pontos corridos não tem emoção

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A CBF divulgou, nesta quinta-feira, a sua sempre bizarra lista dos melhores do Campeonato Brasileiro. Ela manteve alguns estranhos critérios, como a divisão de zagueiros e volantes pelos lados em que atuam.

Só isso já costuma gerar problemas na lista da CBF, mas ela não é descartável. Se por um lado alguns nomes importantes foram esquecidos, como Danilo, do Corinthians, existem também boas lembranças, como os jogadores do surpreendente Figueirense.

Além disso, não adianta só cornetar. É preciso também dar a cara para bater e eleger os meus melhores do Brasileirão 2011. É isso que tento fazer e justificar a seguir…

GOLEIRO

Fernando Prass (Vasco)
Prass não chega a ser um goleiro espetacular, mas os melhores do Brasil falharam demais no campeonato. Além disso, sua importância como líder na ótima campanha do Vasco merece destaque.

Vasco campeão

Fernando Prass pode levantar mais duas taças em 2011

Outros destaques: é uma posição em que poucos jogadores foram regulares, então Marcelo Lomba (Bahia) e Júlio César (Corinthians) conseguiram ficar entre os melhores.

LATERAL-DIREITO

Fágner (Vasco)
Sempre gostei do futebol dele, desde que surgiu no Corinthians. É técnico, rápido e sabe ir até a linha de fundo. Evoluiu muito na temporada e fez uma boa parceria com Éder Luis e Diego Souza nas jogadas de ataque do Vasco.

Outros destaques: é uma posição complicada no mundo, com poucos talentos, mas Bruno (Figueirense), Mário Fernandes (Grêmio), Nei (Inter) e Cicinho (Palmeiras) tiveram bons momentos. Além de Mariano, que melhorou no 2º turno.

ZAGUEIROS

Dedé (Vasco) e Antônio Carlos (Botafogo)
O vascaíno é indiscutível, mas achar seu companheiro nessa zaga não é fácil. A falta de bons zagueiros no Brasil preocupa, mas a evolução de Antônio Carlos merece ser premiada.

Outros destaques: Émerson (Coritiba), Leandro Castán (Corinthians) e Manoel (Atlético-PR) superaram suas limitações e surpreenderam. Já Rhodolfo (São Paulo) e Réver (Atlético-MG), zagueiros de qualidade, até foram bem, mas poderiam ter ido melhor.

LATERAL-ESQUERDO

Cortês (Botafogo)
Apesar de realmente ter caído de produção durante a reta final, o botafoguense impressionou por um longo tempo e não foi superado depois, até porque faltaram nomes de qualidade na posição.

Outros destaques: Juninho foi uma grata revelação do Figueirense, mas fora ele é difícil apontar outros nomes de qualidade. Talvez Fábio Santos (Corinthians), talvez Thiago Feltri (Atlético-GO), talvez Dodô (Bahia). Talvez, talvez, talvez…

VOLANTES

Ralf e Paulinho (Corinthians)
A dupla tinha tudo para ser um ponto fraco do Corinthians, mas surpreendeu e se tornou fundamental para o time de Tite. Fica o destaque principalmente para Paulinho, que se acostumou a fazer gols e deu uma valiosa dinâmica para o meio-campo do Corinthians.

Paulinho e Ralf, do Corinthians

Essa dupla surpreendeu!

Outros destaques: poucos volantes de marcação chamaram atenção. Wellington (São Paulo), Edinho (Fluminense) e Pierre (Atlético-MG) foram os menos piores. Já entre os que saem mais para o jogo, existem nomes melhores: Rômulo (Vasco), Filipe Soutto (Atlético-MG), Marcos Assunção (Palmeiras) e Renato (Botafogo), por exemplo.

MEIAS

Danilo (Corinthians) e Diego Souza (Vasco)
É outra posição em que ninguém foi suficientemente regular para se destacar de verdade. Mas a injustiça da CBF foi absurda, já que o meia do Corinthians foi fundamental nos grandes jogos, com sua experiência e poder decisivo. Já Diego Souza soube se encaixar no Vasco e, apesar de nem sempre brilhar, foi fundamental para o time.

Outros destaques: É possível citar ainda Oscar (Inter), Thiago Neves (Flamengo), Montillo (Cruzeiro), Elkeson (Botafogo) e Juninho Pernambucano (Vasco). Todos eles estiveram em um nível bem parecido com os dois meias citados acima.

ATACANTE

Neymar (Santos)
É a grande unanimidade. Mesmo que o Santos não tenha feito uma campanha para valer no Brasileirão, ele conseguiu fazer jogos em que foi simplesmente genial. Tornou-se a principal atração do campeonato.

Outros destaques: Wellington Nem brilhou demais na reta final do Figueirense. William sempre foi importante para o Corinthians. Mais irregulares, mas em alguns momentos até mais brilhantes, apareceram também Dagoberto (São Paulo), Ronaldinho Gaúcho (Flamengo) e Osvaldo (Ceará).

CENTROAVANTE

Borges (Santos)
A oportunidade era muito boa para ele, afinal jogar em um time de qualidade, como o Santos, é prazeroso para qualquer centroavante. Mas ele soube aproveitar a chance como poucos e ainda contou com a irregularidade de seus concorrentes para se firmar como o melhor da posição, além de provavelmente levar a artilharia do Brasileirão.

Outros destaques: Fred (Fluminense) e Leandro Damião (Inter) tinham tudo para superar Borges, mas problemas físicos atrapalharam. Além deles, Liédson (Corinthians), Julio César (Figueirense) e Loco Abreu (Botafogo) também merecem a citação.

Borges e Neymar no Santos

Essa dupla tinha tudo para dar certo. E deu. Te cuida, Puyol!

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Depois de uma longa negociação, Kleber finalmente foi apresentado no Grêmio. É o primeiro reforço do time gaúcho e há vários motivos para acreditar que ele dará certo no Olímpico. Além do Grêmio precisar mesmo de um atacante, seu estilo raçudo combina com o que a torcida espera de qualquer jogador.

Porém, é preciso fazer uma ressalva: o Grêmio precisa de mais do que um Kleber para se tornar um time forte no ano que vem. Vale lembrar: com um elenco apenas razoável, o time chegou a correr risco de rebaixamento no começo do Brasileirão 2011. Celso Roth conseguiu um padrão de jogo que acabou com esse perigo, mas não dá para contar só com isso para 2012.

O trio de meias, por exemplo, precisa melhorar para que o “Gladiador” tenha chances de fazer seus gols. Se nem Douglas é tão confiável assim, imagine então Marquinhos e Escudero. Há ainda a possibilidade de um dos três saírem do time titular para que André Lima forme dupla com Kleber. Seria uma mudança mais profunda no time. Arriscado!

E há ainda problemas óbvios com a defesa, que passou por diversas mudanças ao longo do ano e continua insegura. Saimon, Rafael Marques, Edcarlos, Vilson e até o improvisado Gilberto Silva não conseguiram se acertar por enquanto.

É preciso também lembrar que Kleber se tornou um jogador superestimado. Trata-se de um atacante muito bom, acima da média da maioria dos jogadores da posição no Brasil, mas que tem um currículo modesto, não é jovem e está caro demais.

Portanto, com tudo isso, fica evidente que não há tantos motivos para comemorar a contratação de Kleber. Apesar de tudo indicar que ele será um bom reforço, é preciso entender que ainda há muito chão para que o Grêmio faça um 2012 diferente de 2011. O primeiro passo é não se iludir.

Kleber no Grêmio

Pra que esse capacete?

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Há vários pontos de vista sobre a demissão de Caio Júnior do Botafogo. Por um lado, pode-se analisar apenas os resultados e ver que o time tem caído na tabela. Além disso, pode-se observar que técnico deu declarações que incomodaram a diretoria e ainda inventou demais nas escalações – nesta quarta-feira, por exemplo, mudou a tática do time para um 3-6-1 absurdo e perdeu para o América-MG.

Mas também pode ser feita uma outra análise e ver qual é o real potencial desse elenco do Botafogo. No começo do Brasileirão, por exemplo, era possível imaginar que ele apenas brigaria contra o rebaixamento. Mas vários bons reforços foram contratados, o time se acertou e surpreendeu. Mas pensar em título sempre foi sonhar alto demais. Eu sempre duvidei do Botafogo campeão.

Mas alcançar uma vaga na Libertadores já seria ótimo. E se isso ainda é possível, por que demitir o técnico? Fica evidente que a diretoria se iludiu com a possibilidade do time e agora está frustrada. Mas nesse caso o erro é de quem se empolgou quando não devia…

Há ainda uma terceira análise, mais profunda, sobre o quanto é vantajoso trocar de técnicos no futebol brasileiro. Em toda a temporada de 2011, aconteceram 35 mudanças de treinador nos 20 times da primeira divisão. Fiz uma análise rápida e concluí que a maioria das substituições, exatamente 20, não deu certo. Veja primeiro quais foram as trocas erradas:

  • Sérgio Soares por Geninho no Atlético-PR
  • Rogério Lourenço por Chiquinho de Assis no Bahia
  • Vágner Benazzi por Silas no Avaí
  • Chiquinho de Assis por Vágner Benazzi no Bahia
  • René Simões por PC Gusmão no Atlético-GO
  • Geninho por Adilson Batista no Atlético-PR
  • Celso Roth por Falcão no Inter
  • Vagner Benazzi por René Simões no Bahia
  • Silas por Gallo no Avaí
  • Cuca por Joel Santana no Cruzeiro
  • Renato Gaúcho por Julinho Camargo no Grêmio
  • Carpegiani por Adilson Batista no São Paulo
  • Mauro Fernandes por Antônio Lopes no América-MG
  • Gallo por Toninho Cecílio no Avaí
  • Renato Gaúcho por Antônio Lopes no Atlético-PR
  • Joel Santana por Emerson Ávila no Cruzeiro
  • Vágner Mancini por Estevam Soares no Ceará
  • Emerson Ávila por Vágner Mancini no Cruzeiro
  • Adilson Batista por Émerson Leão no São Paulo
  • Estevam Soares por Dimas Filgueiras no Ceará

* Por serem muito recentes, as trocas de técnico no Avaí e no Botafogo não foram avaliadas, é claro.

Além disso, o técnico líder do Brasileirão, Tite, é um dos que estão há mais tempo no cargo. Até porque realmente é complicado conseguir sucesso na substituição de técnico. Veja os treze times que conseguiram sucesso nessa arte que é trocar de treinador no Brasil:

  • PC Gusmão por Ricardo Gomes no Vasco
  • Adilson Batista por Muricy Ramalho no Santos
  • Márcio Goiano por Jorginho no Figueirense
  • Muricy Ramalho por Abel Braga no Fluminense
  • Joel Santana por Caio Júnior no Botafogo
  • Dimas Filgueiras por Vagner Mancini no Ceará
  • Adilson Batista por Renato Gaúcho no Atlético-PR
  • Falcão por Dorival Jr. no Inter
  • PC Gusmão por Hélio dos Anjos no Atlético-GO
  • Antônio Lopes por Givanildo Oliveira no América-MG
  • Julinho Camargo por Celso Roth no Grêmio
  • Dorival Jr. por Cuca no Atlético-MG
  • René Simões por Joel Santana no Bahia

Portanto, com todos esses pontos de vista apresentados, só me resta desejar sorte ao Botafogo. Fica claro que ele vai precisar!

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Não vou perder tempo palpitando sobre a briga pelo título. Já escrevi que aposto no Corinthians, mas isso só será resolvido nas últimas rodadas. E com tanto equilíbrio no Brasileirão 2011 é sacanagem e perda de tempo fazer qualquer comentarista palpitar sobre a disputa na parte de cima da tabela.

Mas o que me chama mais atenção nesse momento é a briga contra o rebaixamento. Especialmente por causa do Cruzeiro. Impressiona como o time mineiro caiu de produção durante o ano e, agora que está entre os quatro piores, dá sinais claros de que realmente vai cair. Às vezes parece até ser incompreensível como um time pode piorar tanto em tão pouco tempo. Mas na verdade sobram motivos e fatos para entender essa queda. Explico…

Em primeiro lugar, basta olhar para o time do Cruzeiro para entender por que a campanha tem sido tão ruim no Brasileirão. Afinal, o elenco foi superestimado depois de ter sido campeão mineiro e impressionado na Copa Libertadores. Porém, esse time, que já não era tão bom, foi desmontado. Gil, Henrique, Gilberto, Dudu e Thiago Ribeiro foram negociados. E Wallyson ainda se lesionou gravemente.

Aliás, o principal problema do time é o ataque. A defesa é fraca também, mas ter opções como Anselmo Ramon, Wellington Paulista, Bobô, Keirrison, Farías e Ortigoza é triste. Faltou ter alguém com mais velocidade e habilidade para fazer do Cruzeiro um time mais perigoso na frente.

Zezé Perrella, presidente do Cruzeiro

Senador Zezé Perrella, se o Cruzeiro cair, Vossa Excelência terá a maior parcela de culpa

Mas a análise dos problemas do Cruzeiro não pode ser tão superficial e parar apenas na análise do elenco. É preciso lembrar que o time ficou sem estádio em Belo Horizonte, problema que também fez o Atlético-MG sofrer. Além disso, a questão política, com o afastamento de Zezé Perrella para se dedicar à carreira política, com certeza atrapalhou demais.

Por fim, mas não menos importante, existe também a questão dos técnicos que passaram pelo Cruzeiro. Cuca foi prematuramente demitido, mas a chegada de Joel Santana trouxe algum alívio e tenho certeza que o time não cairia se ele estivesse no comando até agora. Vide o Bahia, que tem um time pior e está conseguindo fugir do rebaixamento aos poucos.

Depois de Joel, a aposta em Emerson Ávila foi absurda. Era evidente que não ia dar certo. Agora Vágner Mancini tenta recuperar o tempo perdido. Até gosto dele como técnico, mas não parece pronto para um desafio desse tamanho.

Com tudo isso, a situação ficou realmente perigosa para o Cruzeiro. Os três times acima dele na tabela, Atlético-MG, Bahia e Ceará estão em um momento melhor e parecem ter mais gás para fugir do rebaixamento. Eu até queria apostar que o Cruzeiro não vai cair, porque toda essa situação realmente surpreendeu, mas na verdade faltam motivos para acreditar nisso. E sobram razões para apostar na queda da Raposa…

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Troféu do Brasileirão
Quem vai ficar com ele dessa vez?

As últimas duas rodadas do Brasileirão trouxeram duas certezas: São Paulo e Internacional não vão brigar pelo título. A maioria dos comentaristas e até os torcedores provavelmente concordam com isso. O time do Morumbi se perdeu por causa de Adilson Batista e ainda segue sem técnico. Já o do Beira-Rio tem mostrado que sente demais a falta de Leandro Damião e não consegue brilhar nos grandes jogos, como contra o Corinthians, neste domingo.

Então a questão, já levantada aqui em um post recente, agora é: quem exatamente vai se manter essa briga até o final? Teoricamente existem cinco times com chances: Vasco, Corinthians, Botafogo, Flamengo e Fluminense. Mas é preciso ver cada caso e cortar alguns desses clubes. Explico…

O Fluminense é um dos times que eu duvido. Não acredito mesmo que vá ser campeão. E não é a primeira vez. Ano passado, também não acreditava que ele levaria o Brasileirão 2010. Errei, é verdade. Mas vou duvidar de novo. E agora com mais convicção, já que o Flu parece ter um time ainda bagunçado para ser campeão. A evolução do time depois da chegada de Abel Braga foi bonita de se ver, mas ainda é pouco. Falta muito.

E duvido também do Botafogo. Não é um time de chegada e nem tem um treinador de chegada. Caio Jr. é bom técnico, mas não sabe controlar seus jogadores em momentos decisivos. Isso ficou evidente nas últimas duas partidas. Não que tudo tenha sido culpa dele. Mas os próprios jogadores, até os mais experientes, como Renato e Loco Abreu, mostraram que o time não está pronto para a pilha de nervos que serão as próximas rodadas.

E é assim que o Brasileirão 2011 será decidido: nos últimos jogos, em confrontos nervosos, nos quais quem tiver mais sangue frio vai vencer. Vasco, Corinthians e Flamengo vão brigar por esse título. Nenhum deles é favorito, não há um supertime, sequer há alguém com regularidade. Detalhes vão decidir quem dos três será o campeão.

Se eu tiver que arriscar um palpite, acredito que o Corinthians será campeão. Mas é maldade fazer qualquer um apostar nesse campeonato tão maluco. Bom mesmo é acompanhar essas próximas sete rodadas, que serão eletrizantes.

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A saída de Adilson Batista do São Paulo era mais do que esperada. Sua contratação já tinha sido estranha, absurda, e a demissão era questão de tempo. E esse tempo demorou até demais para chegar. Agora o “São Paulo perdeu o rumo, bem na hora em que era mais importante ter equilíbrio na corrida pelo hepta”, como escreveu Antero Greco. Para piorar, a diretoria ainda não resolveu se vai contratar um novo técnico ou se vai “manter Milton Cruz como interino” até o final do Brasileirão 2011.

A primeira opção é a mais difícil. Concordo com Arnaldo Ribeiro:  “o próximo técnico do São Paulo precisa ser um herói”PVC e Vitor Birner também escreveram sobre o perfil do substituto de Adilson: precisa ser alguém linha dura, experiente e que passe confiança para a torcida. Já não é fácil achar nomes assim normalmente. Em final de temporada, pior ainda. Por essas e outras que o mais provável é que Rogério Ceni fique como técnico do time até o final do ano. Achou estranho? Explico…

Como escreveu Sérgio Xavier, Milton Cruz na prática será o auxiliar de um técnico que estará em campo. Isso porque a liderança que Ceni exerce sobre o grupo é grande demais. E essa é a nova esperança são paulina para que o time se recupere.

Não é uma má ideia. Pode até dar certo. Mas o São Paulo precisa rever seu conceito de “dar certo”. Afinal, com toda essa confusão na reta final, conquistar uma vaga na Libertadores de 2012 já será ótimo.

E depois disso, o ideal seria que o clube revisse a situação da sua diretoria, que agora ficou ainda mais queimada e foi criticada por Alberto Helena Jr., Benjamin Back, Eduardo Tironi e qualquer torcedor com o mínimo de consciência.

Mas fato é que o São Paulo não briga mais pelo título do Brasileirão 2011. Quem briga? Isso é assunto para outro texto…

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Não é só mais uma história de um jogador agredido pela torcida.

Não é só mais um time que perdeu todas chances no Brasileirão.

Não é só mais um conflito entre técnico e jogadores.

A agressão a João Vitor e todas suas consequências são símbolos de como está mal o Palmeiras atualmente – um time de passado recente nebuloso, momento atual vergonhoso e o pior de tudo: com um futuro que não traz perspectiva alguma de melhora.

A primeira consequência do caso João Vitor é óbvia: o Palmeiras não tem mais qualquer chance no Campeonato Brasileiro. Na verdade só não será rebaixado porque faltam poucos pontos para se livrar disso, aproximadamente quatro em trinta possíveis. Mas sem dúvidas será um parto para esse elenco arrancar essas migalhas nos próximos jogos.

A segunda consequência já estava desenhada: Felipão não deve ficar no Palmeiras em 2012. Mesmo antes dessa confusão explodir, sua saída já era esperada. Logo ele, conhecido por criar famílias por onde passa, tem enfrentado uma rejeição muito forte no clube que é ídolo. Parte da diretoria tem criado dificuldades para ele, por causa do seu alto salário, e vários jogadores não o suportam mais. Enfim, sua permanência para 2012 seria uma surpresa e até uma saída imediata pode acontecer.

A terceira consequência só tende a agravar os anos de crise no Palmeiras. Afinal, ficará difícil para o time contratar qualquer jogador a partir de agora. Vágner Love certamente lembra que essa não é a primeira vez em que um atleta do time é agredido pela torcida. Com a reincidência qualquer um pensará mil vezes antes de assinar um contrato com o Palmeiras.

Por fim, a última consequência, mas a mais importante: o caso João Vitor expõe de vez toda a bagunça que é o Palmeiras. É um absurdo o time não ter respaldado seu treinador a ponto dos jogadores gerarem uma rebelião contra ele. Mas isso só aconteceu porque não há ninguém com moral que trabalhe essa relação entre jogadores e técnico. Dessa forma, o atrito entre as duas partes era inevitável.

Só que o problema do clube vai além desse caso específico. A situação política do Palmeiras beira o inacreditável. Quando saiu a notícia da agressão de João Vitor, houve quem suspeitasse até que seria algo encomendado para gerar desunião na torcida, que tem se juntado para fazer um movimento pela democracia do clube.

E pouco importa se isso é verdade ou não, se é imaginação demais ou não. O fato é que algo tão absurdo, uma agressão encomendada para fins políticos, jamais poderia sequer ser cogitada. O fato dessa hipótese ser considerada mostra como o cenário político palmeirense é perigoso, parecido mesmo com uma máfia, como o próprio Felipão já comparou. E o pior é que o presidente Tirone é um iludido e parece não enxergar toda essa situação, que é tão óbvia até para quem olha de fora.

Com tantas consequências, fica claro que esse não é só o caso de um João qualquer. É o caso de um clube que foi agredido, espancado, mal tratado e agora agoniza em estado terminal. E dessa vez parece que só um milagre pode salvá-lo. Como tem sido dito nos corredores do Palestra Itália, rezar talvez seja a única solução.

João Vitor agredido

João Vitor não apanhou sozinho. O Palmeiras sangra junto...

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