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Posts Tagged ‘Copa 2014’

A saída de Mano Menezes da Seleção Brasileira já foi bastante discutida. É praticamente unânime: foi a decisão certa na hora errada. Faria sentido demitir Mano depois da Copa América ou da Olimpíada de Londres. Não agora, quando o trabalho estava em evolução. Muitos comentaristas seguiram essa linha ao comentar o assunto, como Arnaldo Ribeiro e Fabio Chiorino. Há também quem acredite em motivações políticas para justificar a decisão, como Menon e Sergio Xavier. Não duvido.

Mas o leite está derramado e não adianta chorar. É preciso olhar para frente e ver quem deve assumir o cargo. Inclusive já foi criada praticamente uma campanha para que Pep Guardiola seja o novo técnico do Brasil – além do pedido de comentaristas, como Lédio Carmona e Antero Greco, houve até uma carta aberta feita pelo Lance!, neste domingo. É evidente: seria no mínimo interessante ver o espanhol no comando do Brasil.

Mas permitam-me ser pessimista: duvido que Guardiolá vá assumir a Seleção. O diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez, tem repetido que não quer um estrangeiro no comando. É claro que o ex-presidente corintiano está com menos poder agora, mas vejo José Maria Marin com o mesmo pensamento – retrógrado e conservador, ele jamais vai aceitar que um espanhol treine a Seleção na Copa do Mundo que acontecerá no Brasil. Para eles seria uma afronta, não uma revolução.

Além disso, firmo meu pessimismo em outro raciocínio: a CBF jamais demitira Mano agora, sem um grande motivo, se não tivesse outro técnico de ponta engatilhado. E no momento parece óbvio: Felipão é a carga na manga de Marin. Sem clube, ele já poderia ter acertado ou pelo menos negociado com outros times de ponta, como Grêmio e Inter, além de clubes do exterior. Mas provavelmente se resguardou porque tem a certeza de que vai assumir a Seleção. Com uma ressalva.

Mas é claro que há uma ressalva: afinal, se Felipão estivesse 100% confirmado, poderia ser anunciado agora, não em janeiro apenas. O que fez a CBF adiar esse anúncio é o “fator Tite”. Explico – o técnico do Corinthians é competente, tem estilo que agrada à CBF, quer assumir a Seleção e está em alta. Porém, vai disputar o Mundial de Clubes em dezembro. É preciso esperar o que vai acontecer no Japão para que a CBF tome a última decisão.

Caso o Corinthians vença, Tite estará elevado ao nível de Deus entre os corintianos e será cada vez menos contestado por outras torcidas. Aproveitará para sair em alta do time paulista e irá direto para a Seleção, tomando o lugar que seria de Felipão. Caso perca, continuará bem no Corinthians e deixará o lugar aberto para seu companheiro gaúcho, que já está conversado com a CBF.

É claro que tudo isso é observação e análise, não informação. Mas parece muito mais realista do que imaginar que Guardiola vá assumir a Seleção às vésperas da Copa de 2014…

Me surpreenda, Marin.

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Quando saiu a convocação da Seleção Brasileira só com jogadores que atuam no país, resolvi dar pouca atenção para isso. Apesar do jogo ser contra a Argentina, pouco valia. Nem fiz post aqui no Opiniões em Campo. O assunto merecia no máximo um comentário no twitter do blog. Lá escrevi que Renato Abreu e Cícero eram as únicas bizarrices da lista e os outros eram apenas discutíveis. Ponto final.

Mas depois do jogo desta quarta, fui forçado pelo Mano Menezes a escrever algo mais. Afinal, ao escalar o bizarro Renato Abreu como titular da Seleção, ele mostrou algo que preocupa de verdade: o técnico do Brasil está completamente perdido em seu cargo. Ele já deu indícios disso em outros jogos, mas o fator Renato Abreu foi a prova final.

Renato Abreu com a camisa da Seleção

Renato Abreu na Seleção. Quem diria?!

Não é minha intenção jogar a culpa do empate e do jogo ruim no “coitado” Renato Abreu. Ele realmente jogou mal e até escrevi sobre a atuação ruim dele e de outros no iG Esporte. Mas a questão é muito maior e envolve todo o projeto da Seleção. Explico…

Ao apostar em um meia de 33 anos, Mano deixou de dar a oportunidade para vários jovens que poderiam ser testados em seus lugares. Meias com idade olímpica inclusive, como Oscar, Lucas e Elkeson, por exemplo. Mas o técnico preferiu Renato Abreu e jogou fora o primeiro princípio que dominava seu discurso há um ano atrás: a renovação da Seleção.

Mano não tem conseguido renovar absolutamente nada! E não venham me falar de Neymar e Ganso, pois escalar esses jogadores era sua obrigação. O problema é que frequentemente ele opta pela experiência ao invés da juventude, em várias posições. Tudo isso é desespero? Parece que sim…

Na defesa, por exemplo, Mano tinha uma dupla jovem e forte para manter até a Copa de 2014, Thiago Silva e David Luiz. Mas agora tem apostado em Lúcio, que já está em decedência na carreira e provavelmente não chegará bem para o Mundial no Brasil, daqui a três anos.

A volta de Ronaldinho Gaúcho tem o mesmo problema, mas no setor ofensivo o maior erro é com Lucas, do São Paulo. Mano o convoca para ficar no banco de reservas. Até do Renato Abreu! O técnico enxerga o são paulino como atacante, como reserva de Neymar. Mas esquece que ele surgiu como meia e pode perfeitamente fazer essa função. Pior do que o Renato Abreu não será…

Por essas e outras é que vejo Mano Menezes perdido em seu cargo. Ele não sabe se deve priorizar o projeto olímpico e a tão anunciada renovação ou se é melhor buscar os resultados, que não conseguiu até agora, com os “velhos” de sempre. E no meio dessa confusão Mano tem ficado longe de achar um time para a Copa, muito longe.

Dessa forma, parece mesmo que a saída de Mano Menezes está pronta. A não ser que um milagre olímpico o salve, tudo parece desenhado para que Felipão assuma seu lugar até a Copa. E haja “Família Scolari” para salvar o Brasil de um trabalho tão mal feito!

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