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Posts Tagged ‘Messi’

Caro Andrés Sanchez,

O senhor é um brincalhão, todos sabemos. Desde que era presidente do Corinthians, sua palavra nunca foi levada a sério. Simplesmente porque o senhor costumava mentir sobre tudo que pudesse. Quem é jornalista sabe: se você dizia que não ia contratar determinado jogador, já era possível imaginar tal jogador apresentado no dia seguinte. Normal, o segredo faz partes dos negócios. Nós, jornalistas, não gostamos, mas entendemos.

Porém, agora o senhor é Diretor de Seleções da CBF. Um cargo que deveria ter mudado sua postura como dirigente. Porém, ainda não consigo levar a sério sua palavra. Um pouco pelo seu histórico no Corinthians, mas também pelas bobagens que o senhor tem falado recentemente. A maior delas veio no último domingo, no programa Mesa Redonda. Aliás, corrijo: não foi só uma bobagem. Foram várias. Explico…

Ao comentar sobre o histórico futebol que o Barcelona tem apresentado ultimamente, o senhor questionou e respondeu: “O que eles ganhavam cinco, seis anos atrás? Nada”. Pois eu lhe corrijo: há seis anos, em 2006, o Barcelona ganhava a Liga dos Campeões. O time não era o mesmo, o técnico não era o mesmo, mas um embrião estava formado. O futebol ofensivo daqueles tempo é o mesmo que encanta atualmente.

As suas bobagens não pararam por aí. O senhor ainda disse: “E o que vão ganhar daqui cinco, seis anos? Nada, porque Xavi, Iniesta, Messi e tudo mais vão parar de jogar”. Não sei prever o futuro e pode ser até que o Barcelona não ganhe tudo em 2018. Mas tenho certeza que ele terá um time forte. Porque trata-se de uma equipe que não para de se renovar. Basta ver o número de revelações nas últimas duas temporadas. Tello, Cuenca, Thiago Alcantara e outros jovens têm ganhado espaço para futuramente serem protagonistas. Acho mais fácil prever que, daqui a seis anos, Messi terá 30 anos e comandará esse renovado time na conquista de mais títulos.

Seu argumento para defender as bobagens que disse foi terrível: “eu já fui pra lá e não vi o time jogar igual ao profissional, ainda perderam de 2 a 0 para o sub-17 do Corinthians”. Se o seu argumento é o resultado, você entendeu tudo errado mesmo. O Barcelona é muito maior do que isso. É “més que un club”, esqueceu? Nas categorias de base o importante não é vencer, mas sim revelar.

Para piorar, o senhor ainda soltou a seguinte frase: “isso daí de que o Barcelona tem uma escola de futebol, que todo mundo joga igual, é tudo balela”. Foi a frase mais ironizada na última segunda-feira e assim será por muito tempo. Assim que a Seleção Brasileira pagar mais um mico, virão dizer que a verdadeira “balela” é a Seleção Brasileira. E todos terão razão.

O correto, senhor Andrés, seria fazer como fez Muricy Ramalho há poucas semanas. Ele admitiu que o Santos aprendeu a jogar melhor depois que enfrentou o Barcelona no Mundial de Clubes. Quem viu o jogo sabe que foi uma aula de futebol. Ainda em campo, até mesmo o inexperiente Neymar admitiu isso. Meses depois da derrota, segundo Muricy, seus jogadores tentaram aprender com seus próprios erros e, acima de tudo, absorver o que o Barcelona ensinou.

É o que o senhor, Andrés, devia fazer. Ao invés de falar bobagens, deveria aprender com o Barcelona. Não para imitá-lo, porque isso seria impossível. Mas para conseguiur uma identidade de volta para a Seleção Brasileira. É preciso reinventar nosso futebol, já escrevi sobre isso neste blog. Porém, enquanto o futebol mundial evolui, nós temos desprezado o crescimento de nossos rivais. Espero que seu desprezo, Andrés, não seja verdadeiro. Mais uma vez não vou levar a sério o que você disse. Torço para que seja só mais uma balela.

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Quando saiu o sorteio da próxima fase da Liga dos Campeões, a reação imediata foi comemorar: podemos ter uma final entre Barcelona e Real Madrid. Ótimo! São os dois melhores times do mundo e a expectativa para ver um clássico dessa grandeza é normal. Mas é preciso cautela. A Liga dos Campeões tem dois times que ainda podem parar a dupla espanhola.

É fácil ter a sensação de que o Barcelona é um time invencível. Basta assistí-lo em um grande jogo para pensar isso. Afinal, adversários já tentaram pará-lo com todos tipos de estratégia, mas parece que nada funciona. Com tantos ótimos jogadores e um gênio chamado Messi, parece impossível superá-lo.

Mas alguns jogos já mostraram que isso não é verdade. Quando Barcelona e Milan se enfrentaram na fase grupos, por exemplo, tive essa certeza: o time italiano tem capacidade para bater o time de Messi e companhia. Os resultados foram um empate e uma vitória dos catalães, mas foram dois grandes jogos. Pelo menos um belo espetáculo já podemos esperar no novo confronto entre eles, pelas quartas de final.

Ao olhar para trás, vemos um Milan que foi dominado pelo Barcelona no primeiro jogo, mas que também mostrou qualidades defensivas. O time italiano se retrancou, apostou nas duas linhas de quatro e por pouco isso não funcionou – o gol da virada só saiu em uma cobrança de falta de Villa. Depois, Thiago Silva deixou tudo igual, marcando de cabeça. Foi uma partida em que o Milan pouco atacou, até porque estava sem Ibrahimovic, seu principal jogador. Mas mesmo assim poderia ter vencido.

Já no segundo jogo o Barcelona estava mais desfalcado e partiu para o jogo com seu novo 3-4-3. Dessa vez o Milan perdeu, mas também mostrou que poderia vencer. Afinal, é um time que tem meio-campistas criadores, como Boateng, Nocerino e Seedorf, além de um ataque rápido, pronto para surpreender a defesa nem sempre segura do Barcelona. Vale ainda lembrar que o time catalão não tem entrado ligado em todas partidas desta temporada. Se vacilar dessa forma contra o Milan, certamente sairá derrotado.

Caso o Barcelona realmente passe pelo Milan, não é difícil prever um Real Madrid contra Bayern de Munique nas semifinais. E então existirá outro perigo para que a final espanhola seja concretizada. Afinal, apesar dos altos e baixos na temporada, o time alemão tem qualidade para dar trabalho ao Real.

Ao contrário do Milan, que tem uma base forte e um padrão bem definido, o Bayern depende mais de seus talentos individuais. Mas não faltam jogadores que podem brilhar e decidir: Ribéry, Müller, Robben, Mario Gomez, Schweinsteinger, etc… É claro que o Real Madrid de José Mourinho está em sua melhor temporada, virou um time de verdade e já não depende apenas de Cristiano Ronaldo. Por isso terá todo favoritismo, mas não poderá dar espaço para o veloz e eficiente time alemão.

Não se trata de uma torcida. Também quero ver Barcelona x Real Madrid na final da Liga dos Campeões. Mas nem com o sorteio desta sexta-feira eu me animei com isso. Milan e Bayern de Munique estão prontos para estragar a expectativa de quase todo mundo.

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Ao ver Lionel Messi dar mais um show nesta quarta-feira, contra o Bayer Leverkusen, imediatamente pensei: “ele nunca jogou tão bem”. Cheguei a escrever algo sobre isso no Twitter do blog: “esse é o auge do Messi?”. Ao invés de comparações com Pelé, Maradona, Cristiano Ronaldo ou Neymar, fiquei pensando sobre essa comparação: Messi x Messi. E ainda não achei uma resposta. Explico…

O que mais encanta no Messi é seu potencial. Ele sempre quer se superar. Já fez quatro gols? Tenta e consegue fazer o quinto. Já venceu o Real Madrid duas vezes na temporada? Tenta e consegue humilhar o rival de novo. Já ganhou a Liga dos Campeões? Está com tudo para ganhar pela quarta vez. Já foi eleito o melhor jogador do mundo? Deve ganhar pela quarta vez seguida em 2012. Ele não se contenta com pouco e parece que jamais vai se acomodar. Por isso é impossível saber quando será o seu auge.

Ao falar de seus feitos, esbarramos na questão que todos sempre levantam: falta Messi brilhar pela seleção argentina. Falta uma Copa do Mundo. E não há dúvidas: falta mesmo. Principalmente porque seleção argentina é uma bagunça. É o contrário do Barcelona. Vencer a Copa por seu país representaria fazer algo quase impossível, já que o time não lhe dá condições para isso. Caso Messi supere essa dificuldade, vai merecer ganhar qualquer comparação.

Agora fica outra pergunta: dá para duvidar que Messi vá ganhar uma Copa do Mundo? Jogo após jogo, eles nos prova que não. Ele tem mostrado que ainda vai dar muito trabalho, fazer muitos gols e conquistar tudo. E insisto: é isso que mais encanta. Ele ainda não é maior ou melhor do que muitos gênios do futebol, mas tem potencial para ser. Por isso o importante, por enquanto, é evitar comparações e apenas aproveitar cada show desse craque. Deixo as comparações para o futuro, quando ele já tiver feito de tudo um pouco.

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10 razões para explicar uma goleada histórica

Não dá para simplificar o que aconteceu neste domingo. O que o Barcelona fez com o Santos foi um massacre, um chocolate, um baile, um banho, um atropelamento. Enfim, como queira chamar. Mas por que isso aconteceu? É importante entender isso para fazer aquilo que Neymar pediu após o jogo: aprender a lição e evoluir.

E existem várias razões para o show do Barcelona ter acontecido. O Santos errou demais, mas também existem os mérito do time catalão. Tudo isso foi abordado por vários comentaristas esportivos após o jogo. E agora tento resumir as dez razões mais apontadas para o Barcelona ter goleado o Santos por 4 a 0 no Mundial de Clubes. Seguem as opiniões que entraram em campo:

10º) Falta de noção
Por desconhecimento ou falta de profissionalismo, o real poder do Barcelona não foi entendido completamente. Isso não abalou o Santos como um todo, mas certamente houve alguma influência em um ou outro jogador.

Como bem escreveram Carlos Pizzatto e Cassiano Gobbet, partes da imprensa fizeram tentativas de reduzir a dimensão desse genial Barcelona. Comparações absurdas foram feitas e só depois do jogo alguns perceberam que o Barça é um dos melhores times de futebol da história. Tarde demais.

9º) Neymar não jogou
Neymar “não viu a cor da bola” e “a bola não recebeu o devido carinho do craque”. Alberto Helena Jr. tem total razão nessas observações. Se o Santos tinha alguma chance de vencer o Barcelona, dependia de uma grande atuação de Neymar. O que esteve longe de acontecer.

Mas também é preciso enxergar além: caso Neymar tivesse feito uma grande partida, bastaria para vencer? Duvido! Nem um clone de Messi seria capaz de vencer o Barcelona “sozinho”. Por isso outros fatores foram muito mais decisivos para que a goleada acontecesse…

8º) Ganso não marcou
A análise de Leonardo Bertozzi é perfeita: ele lembra que o Real Madrid, acostumado a enfrentar o Barcelona com três volantes, apostou recentemente em manter Özil no meio-campo. Mas o alemão ajudou pouco na marcação e isso contribuiu para que o Barça vencesse.

Algo semelhante aconteceu com o Santos, mas em uma proporção muito maior: Ganso mostrou uma preguiça vergonhosa e fez com que seu time ficasse sempre com um a menos quando se defendia. E perder um atleta na marcação é fatal contra um time que se movimenta tão bem como o Barcelona.

7º) Time ficou apático
Não dá para culpar só Neymar e Ganso. Os outros jogadores do Santos têm uma parcela de culpa. Eles se mostraram apáticos em campo, não sei se por medo ou problemas internos. Mas faltou raça, confiança e comprometimento sim.

“Era preciso marcar, desarmar, lutar pela bola o tempo todo”, escreveu Mauro Cezar Pereira. Foi isso que faltou. Parece que os jogadores entraram conformados com a derrota e os gols aos 20 minutos de jogo só serviram para desanimá-los ainda mais.

6º) Faltou preparação
Desde que ganhou a Copa Libertadores, o Santos não parou de pensar no Mundial. Fez milhões de campanhas de marketing, mas esqueceu-se do principal: era preciso entrar em campo e não fazer feio. Não conseguiu também por causa da diretoria e da comissão técnica.

Como escreveu Marcelo Bechler, “o Santos usava o Brasileiro para não cair, e era um desperdício”. O time brasileiro ficou muito preocupado com a questão física e esqueceu da parte tática. Poupou jogadores no segundo semestre e sequer fez coletivos no Japão, sempre com a intenção de evitar lesões. Mas no final eles ficaram muito mais desgastados, porque só correram atrás do Barcelona.

5º) Faltou estratégia

Muricy errou feio demais

Não deu para entender o que Muricy pediu para seus jogadores. No começo até parecia que o Santos ia pressionar o Barcelona, como sugeri aqui. mas não dá para fazer isso só com os três jogadores da frente. O time todo teria que avançar. Não deu certo e, depois disso, só houve desespero.

“O maior problema do Santos foi não ter uma proposta de jogo. Entrou para marcar o Barça? Ou para tentar atacá-lo? O congestionamento na entrada da área era estratégia? Ou era bololô?”, questionou bem Caio Maia. Milan e Real perderam para o Barça, mas já conseguiram pelo menos alguma estratégia útil para vencê-lo no futuro. O Santos passou longe disso.

4º) Faltou tática
A troca de Léo por Elano foi o grande erro do jogo. Qualquer ignorante percebeu que essa escolha de Muricy atrapalhou demais o time. Com mais jogadores na defesa, o Santos atraiu o Barcelona. E, como escreveu Menon, “trazer aquele toque de bola para perto da área é suicídio”.

Enquanto isso, o Barcelona apenas consolidou ainda mais o seu novo 3-4-3, que muda durante o jogo e mostra influências de Cruyff, como bem destacou Lucas Imbroinise. De fato foi uma aula de tática. E Muricy mostrou que realmente tem muito a aprender nesse sentido…

3º) Diferença de conjunto
Mais importante do qualquer duelo individual ou análises táticas é perceber a diferença entre os conjuntos de Barcelona e Santos. Era bobeira fazer qualquer comparação entre jogadores, porque a força coletiva do time catalão é muito maior. O entrosamento é perfeito, inclusive entre jogadores que entraram agora na equipe, como Fábregas, Thiago Alcântara e Alexis Sánchez.

“O que ficou evidente é que confrontos individuais nem poderiam existir diante de uma diferença técnica coletiva tão grande”, analisou bem Otávio Maia.

2º) Categorias de base
Acima de tudo, foi a vitória de um modelo. Houve um jornalista no Japão, não sei quem, que tentou apontar a diferença financeira como fundamental para explicar a goleada. Ouviu de Guardiola a melhor resposta possível: o Barcelona revela seus principais jogadores. Nem sempre precisa gastar absurdos para contratá-los.

E aí sempre aparecerá um ufanista para lembrar que o Santos e seus “Meninos da Vila” também são frutos de uma categoria de base forte. Para esses apenas recomendo o texto de Pedro Venancio, que explica bem a diferença entre os dois modelos. Os espanhóis formam jogadores com um método elogiável. Os brasileiros improvisam e às vezes dão sorte.

1º) Barcelona
Esse é o maior responsável pelo vexame que o Santos passou. “O Barcelona é um time extraordinário, está fora da curva, é o melhor time do planeta e massacra adversários indiscutíveis há três anos”, resumiu bem PVC.

Pouco interessa se é o Real Madrid, o Manchester United, o Santos, o Fluminense ou o Mogi Mirim. O Barcelona dá a impressão que vai massacrar, dar um banho e atropelar qualquer um. Só nos resta analisar, aplaudir e o mais importante: aprender com ele.

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Atualmente a rivalidade entre Barcelona e Real Madrid parece mais uma guerra. E como em qualquer guerra, existem várias batalhas, com menos ou mais importância. Pois no último sábado, no Santiago Bernabéu, um jogo entre esses dois times entrou para a história. Não foi o final da guerra, longe disso. Mas foi uma das batalhas mais relevantes.

Isso principalmente por causa do bom momento vivido pelo Real Madrid até então. Esperava-se que o exército de José Mourinho finalmente conquistasse seu grande trunfo nessa guerra. Os guerreiros merengues tiveram tudo a seu favor, inclusive um gol marcado antes do primeiro minuto de jogo. Mas no final a brigada catalã levou a melhor e deixou a pergunta no ar: será que o Real realmente pode vencer essa guerra?

Por criar essa desconfiança a batalha deste sábado foi tão importante. E, como não poderia deixar de ser, os comentaristas se desdobraram para explicar como aconteceu tudo isso. O site inglês Zonal Marking fez uma ótima análise tática. Mas em português e com outros pontos de vistas também houve quem fizesse bons textos. Leia alguns e entenda mais sobre essa disputa, que já entrou para a história do futebol:

  • André Rocha foi bem ao detalhar a importância de Guardiola na vitória do Barcelona. Afinal, a versatilidade e a mudança tática do time foi fundamental para que a reação pudesse acontecer. Entenda.
  • Antero Greco abordou um ponto interessante, sobre o qual eu já tinha escrito até no twitter: o que passa na cabeça dos jogadores do Real Madrid? Há um fator psicológico importante no resultado dessa batalha. Leia mais.
  • Caio Maia abordou um aspecto importante: os erros que Mourinho comete ao enfrentar o Barcelona. Nem concordo 100% com a análise, mas claramente o português se equivoca em alguns conceitos nos clássicos. Entenda melhor. 
  • Futebol é movimentação. O Barcelona entende isso muito bem e PVC mostra o porquê. Ele explicou as mudanças pelas quais passou o time catalão e exaltou a importância disso para o futebol. Entenda o que ele chamou de “carrossel” ou “revolução”.
  • Entre vários assuntos, Vitor Sérgio observou algo importante: o Real Madrid até achou um jeito de bater o Barça, que é pressioná-lo. Mas não dá para fazer isso o jogo todo e por isso uma nova estratégia precisa ser encontrada. Saiba mais.

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Quem assistiu a estreia da Argentina contra a Bolívia percebeu que os hermanos tentam imitar, sem sucesso, o Barcelona. Normal, muitos querem isso atualmente, já até escrevi sobre isso no iG Esporte. Mas não é fácil e ninguém conseguiu até agora. E os argentinos ficaram bem longe disso, como destacaram vários comentaristas – Caio Maia e Maurício Noriega, por exemplo.

Porém, nessa análise não basta dizer o óbvio. Afinal, todos sabem que Banega não é Xavi ou que Lavezzi não é Villa e que isso dificulta a imitação do Barça. Mas é preciso lembrar outras estratégias e detalhes que fazem do time catalão essa máquina tão invejada…

Como PVC destacou, falta um elo de ligação entre o meio de campo e o ataque da Argentina. É precisa fazer essa transição naturalmente. Caso contrário, Messi recua para buscar a bola e fica afastado do que mais sabe fazer, os gols.

Como Marcelo Bechler destacou, falta também valorizar a posse de bola: “A Argentina não valorizou a posse de bola, não teve passes curtos e pouco conseguiu colocar Messi no jogo”. Na verdade até existiram momentos em que os argentinos mostraram disposição para fazer isso, mas logo a afobação tomou conta do time, que passou a forçar passes e conceder contra-ataques.

Messi/ AFP

Não era difícil perceber que Messi ficava isolado em campo várias vezes

Como André Rocha e Vitor Sérgio destacaram, também falta tempo para implantar a filosofia que hoje domina o Barcelona. Não é qualquer um que chega no time espanhol e já entende essa proposta tão difícil de ser colocada em prática. Em uma seleção, com a pressão por resultado a cada jogo e com algumas semanas de treino, isso fica quase impossível.

Além do que eles citaram, lembro ainda da marcação por pressão, estratégia que há anos existe no Barcelona e atrapalha qualquer rival que o enfrente. A Argentina não fez isso e nenhum time do mundo consegue fazer algo parecido.

E há ainda a diferença enorme entre a qualidade defensiva de Barça e Argentina, que nem precisa ser muito analisada, está evidente…

Com tantos problemas, fica claro que a Argentina não vai conseguir imitar o Barcelona. Mas nem precisa disso pra ser campeã da Copa América. A seleção tem boas opções no banco, como Pastore, Aguero e Di María, que podem virar titulares e fazerem o time funcionar melhor. Aposto nisso. Aposto em uma Argentina que evoluirá na Copa América e será campeã. Mas jamais apostaria que ela vá chegar perto de ser um Barcelona…

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Foi automático: assim que o Santos se sagrou campeão da Libertadores 2011, todos já passaram a imaginar uma possível final entre o time de Neymar e o Barcelona de Messi no Mundial de Clubes. Entendo a reação de todos, pode ser um encontro sensacional mesmo.

Mas eu fiquei com outra preocupação, que é até mais importante por ser mais imediata: e o Brasileirão 2011? Explico…

O título da Libertadores pode prejudicar o Santos no Brasileirão de duas formas: em primeiro lugar, porque aumenta ainda mais as chances de times europeus quererem contratar os Meninos da Vila. E também porque o próprio elenco santista corre o risco de ficar desmotivado para a sequência do Brasileirão, mantendo o foco no Mundial.

Para não voltar muito tempo basta lembrar o que aconteceu com o Internacional em 2010. O Colorado tinha chances de ser campeão brasileiro, mas só lutou realmente por isso até outubro, no máximo. Depois, faltou foco, o time caiu na tabela e ainda viveu a “mazembada” em Abu Dhabi. Ou seja, não valeu a pena.

O Santos ainda tem tempo de fazer diferente. Soma apenas 5 pontos em 4 jogos no Brasileirão 2011, mas tem time suficiente para conseguir uma arrancada e depois se manter no topo da tabela. Ainda mais depois da chegada de Borges, a peça que faltava nesse perigoso ataque santista.

E é claro que isso passa também pela manutenção do time que foi campeão da Libertadores. O elenco não é tão grandioso e não tem condiçõs de lidar sequer com a saída de coadjuvantes importantes, como Danilo, Arouca ou Adriano. Caso o desmanche aconteça, mesmo que seja com a saída desses jogadores, o Brasileirão pode perder seu principal favorito ao título atualmente. Mas caso contrário…

Se o Santos manter o foco e não sofrer um desmanche, vai ser campeão brasileiro com uma facilidade como há muito não se vê.

Edu Dracena/ AFP

Edu Dracena, prepara-se para levantar outro troféu

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