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Posts Tagged ‘Seleção Brasileira’

A saída de Mano Menezes da Seleção Brasileira já foi bastante discutida. É praticamente unânime: foi a decisão certa na hora errada. Faria sentido demitir Mano depois da Copa América ou da Olimpíada de Londres. Não agora, quando o trabalho estava em evolução. Muitos comentaristas seguiram essa linha ao comentar o assunto, como Arnaldo Ribeiro e Fabio Chiorino. Há também quem acredite em motivações políticas para justificar a decisão, como Menon e Sergio Xavier. Não duvido.

Mas o leite está derramado e não adianta chorar. É preciso olhar para frente e ver quem deve assumir o cargo. Inclusive já foi criada praticamente uma campanha para que Pep Guardiola seja o novo técnico do Brasil – além do pedido de comentaristas, como Lédio Carmona e Antero Greco, houve até uma carta aberta feita pelo Lance!, neste domingo. É evidente: seria no mínimo interessante ver o espanhol no comando do Brasil.

Mas permitam-me ser pessimista: duvido que Guardiolá vá assumir a Seleção. O diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez, tem repetido que não quer um estrangeiro no comando. É claro que o ex-presidente corintiano está com menos poder agora, mas vejo José Maria Marin com o mesmo pensamento – retrógrado e conservador, ele jamais vai aceitar que um espanhol treine a Seleção na Copa do Mundo que acontecerá no Brasil. Para eles seria uma afronta, não uma revolução.

Além disso, firmo meu pessimismo em outro raciocínio: a CBF jamais demitira Mano agora, sem um grande motivo, se não tivesse outro técnico de ponta engatilhado. E no momento parece óbvio: Felipão é a carga na manga de Marin. Sem clube, ele já poderia ter acertado ou pelo menos negociado com outros times de ponta, como Grêmio e Inter, além de clubes do exterior. Mas provavelmente se resguardou porque tem a certeza de que vai assumir a Seleção. Com uma ressalva.

Mas é claro que há uma ressalva: afinal, se Felipão estivesse 100% confirmado, poderia ser anunciado agora, não em janeiro apenas. O que fez a CBF adiar esse anúncio é o “fator Tite”. Explico – o técnico do Corinthians é competente, tem estilo que agrada à CBF, quer assumir a Seleção e está em alta. Porém, vai disputar o Mundial de Clubes em dezembro. É preciso esperar o que vai acontecer no Japão para que a CBF tome a última decisão.

Caso o Corinthians vença, Tite estará elevado ao nível de Deus entre os corintianos e será cada vez menos contestado por outras torcidas. Aproveitará para sair em alta do time paulista e irá direto para a Seleção, tomando o lugar que seria de Felipão. Caso perca, continuará bem no Corinthians e deixará o lugar aberto para seu companheiro gaúcho, que já está conversado com a CBF.

É claro que tudo isso é observação e análise, não informação. Mas parece muito mais realista do que imaginar que Guardiola vá assumir a Seleção às vésperas da Copa de 2014…

Me surpreenda, Marin.

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Foram apenas cinco jogos, mas não tenho medo de dizer: a Seleção Brasileira tem um novo craque. Titular nos amistosos pré-olímpicos, Oscar ganhou a vaga de Ganso e já fez uma grande partida na Olimpíada, nesta quinta-feira, contra o Egito. Com várias assistências pela Seleção, ele roubou até o protagonismo do astro Neymar. Mesmo a imprensa internacional tem preferido destacar os feitos do novo jogador do Chelsea.

Não é à toa. Oscar realmente tem merecido tudo que conquistou com a amarelinha, porque sua evolução de um ano para cá tem sido impressionante. Ele deixou de ser um menino tímido para se tornar o melhor meia do futebol brasileiro, posição também perdida por Ganso. Mas qual é o grande diferencial de Oscar para o santista? Por que ele é tão melhor para a Seleção? Por que o Chelsea investiu cerca de 25 milhões de euros nele?

O grande segredo do futebol do Oscar é a movimentação. Ele é um meia com técnica, sabe fazer passes, lançamentos e até finalizar. Mas não é excepcional em nada disso. Ele é excelente na movimentação, na maneira como sabe se posicionar e fugir da marcação. Não fica centralizado, imóvel, como costuma fazer o próprio Ganso. Oscar cai pelas pontas, aparece na área e, dessa forma, preenche e abre espaço para seus companheiros. Isso é fundamental no futebol de hoje.

Contra retrancas cada vez mais evoluídas, só há uma forma de escapar: movimentação. É preciso que os jogadores invertam posições, como Neymar e Hulk têm feito com Oscar. Se ficarem imóveis, serão presas fáceis para qualquer retranca. Se mudarem de posição, vão confundir qualquer marcação. E a inteligência de Oscar para fazer isso tem estimulado todos jogadores do Brasil a fazer o mesmo. Basta ver o passe do meia para Rafael, no primeiro gol contra o Egito. Sem Oscar aquele gol jamais sairia, justamente porque ele se movimentou pela direita e induziu a Rafael a sair da lateral para o centro.

Oscar tem provado rapidamente que é muito melhor do que Ganso. Pode não chutar tão bem ou até não ter a mesma visão de jogo. Mas traz movimentação para uma equipe que precisa jogar exatamente assim, em velocidade. Se continuar nesse ritmo, vai roubar até a posição de Neymar. Não em campo, claro, pois atuam de forma diferente. Mas como principal craque da Seleção Brasileira, seja para conquistar a medalha de ouro, que ainda aposto que virá em 2012, seja para defender o País na Copa do Mundo de 2014.

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Thiago Silva já está com o passaporte carimbado para Londres. O capitão da Seleção Brasileira vai disputar a Olimpíada como um dos jogadores acima de 23 anos. Restarão, portanto, duas vagas para os “velhinhos”. Depois dos amistosos da Seleção olímpica, cinco jogadores aparecem bem nessa disputa: Jefferson, Daniel Alves, David Luiz, Marcelo e Hulk.

Quem deve sair da briga mais facilmente é o goleiro Jefferson. O desempenho do santista Rafael nos três jogos que disputou não foi brilhante. Ele não chegou a falhar, mas também não mostrou tanta segurança e nem fez defesas incríveis. Mano nunca demonstrou grande confiança nele, mas ainda assim deve levá-lo como titular. Afinal, Jefferson (e nenhum outro goleiro brasilero) também não é brilhante e gastar uma vaga com um jogador dessa posição não fará diferença.

Rafael está à frente de Jefferson por falta de opção

Rafael está à frente de Jefferson por falta de opção

Já na lateral-direita há uma preocupação física em primeiro lugar: Daniel Alves se contundiu no ombro e pode não se recuperar a tempo. Caso consiga estar disponível, pode tirar Danilo ou Rafael do grupo, já que ambos tiveram desempenho defensivo abaixo da média nos amistosos. A questão é: Daniel Alves marca melhor que eles? Certamente não. A única diferença real seria no ataque, já que o time ficaria menos dependente das jogas pela esquerda. Mas o desempenho defensivo seria o mesmo.

Marcelo vive situação parecida na lateral-esquerda: é muito melhor do que seu principal concorrente, Alex Sandro, mas também tem problemas – é indisciplinado e deixa buracos na defesa. Porém, o outro jogador da posição que está pré-convocado é Lucas Mendes, do Coritiba, que foi pouco observado até agora. Portanto, a briga de Marcelo pode ser até com Daniel Alves, que já atuou como lateral-esquerdo na Seleção Brasileira e pode ser convocado como coringa.

Real x Barcelona na Seleção?

Real x Barcelona na Seleção?

Ainda nos problemas defensivos, existe a carência de zagueiros com idade olímpica. Juan e Bruno Uvini mostraram nos amistosos como é fraca nossa nova geração de beques. Mano poderia ter levado mais um jogador da posição para ser testado, como Rafael Tolói (Goiás), Manoel (Atlético-PR) ou até Marquinhos (Corinthians), mas é provável que nada mudaria. Isso só reforça a necessidade de levar outro zagueiro experiente, além de Thiago Silva. David Luiz é o nome ideal, por ter sido o mais testado até agora. Dedé é outra opção, caso o jogador do Chelsea não esteja 100% fisicamente.

Único jogador acima de 23 anos testado no ataque, Hulk foi o principal erro de Mano Menezes durante os amistosos. É evidente que o jogador do Porto/Chelsea foi bem, mas o técnico deveria ter testado outros jogadores na posição, principalmente Lucas, do São Paulo. Seria preciso observar se outros meia-atacantes podem dar conta do recado. Porém, mesmo sem esse teste, não aposto que Mano vá convocar Hulk. O problema na defesa é muito mais grave do que a falta de experiência dos jogadores ofensivos.

Conclusão
Como foi visto nos amistosos, a defesa é o principal problema da Seleção olímpica. Eu jamais confiaria em Juan, Bruno Uvini ou quaisquer outros zagueiros que não foram testados. Portanto, o ideal é convocar David Luiz. Já no ataque a situação parece melhor, ainda mais com a ascensão de Oscar. Portanto, eu descartaria Hulk e ficaria em dúvida entre Daniel Alves e Marcelo. Para resolver essa questão só com um parecer sobre o estado físico do jogador do Barcelona. Mas a tendência é que Mano opte por Marcelo e feche assim a lista dos 18 convocados para Londres:

Goleiros: Rafael e Neto
Laterais: Danilo, Rafael, Marcelo e Alex Sandro
Zagueiros: Thiago Silva, David Luiz e Juan
Volantes: Sandro, Rômulo e Casemiro
Meias: Ganso e Oscar
Atacantes: Neymar, Lucas, Alexandre Pato e Leandro Damião

Acertei, Mano?

Acertei, Mano?

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Assim que virou presidente da CBF, José Maria Marin fez uma afirmação que foi mal interpretada e gerou polêmica: “o desempenho na Olimpíada vai ser fundamental para o futuro da Seleção Brasileira”. Acharam que ele estava apenas pressionando o técnico Mano Menezes, indicando que ele sairá do cargo se não for campeão em Londres.

Calma, Mano, não é bem assim...

Calma, Mano, não é bem assim…

Pode até ser que essa tenha sido a intenção de Marin. Mas o importante é que essa frase é verdadeira por outras razões: o time olímpico realmente vai trazer observações fundamentais para a Seleção Brasileira. É algo que vai influenciar demais a Copa do Mundo de 2014 e não apenas pelo resultado, mas principalmente pelo desempenho de alguns jogadores.

Listo a seguir as sete principais questões que precisam ser observadas na Olimpíada e que serão fundamentais para a Copa de 2014:

Tática definida?
Mano Menezes ainda não conseguiu sequer definir qual é o esquema tático ideal da Seleção Brasileira. Sua tendência é escalar a equipe em um 4-3-3, o que deve ser feito na Olimpíada. Se funcionar, será mantido para a equipe principal. O importante é manter um padrão para os jogadores não ficarem ainda mais perdidos do que estão.

Temos um substituto do Ganso?
É uma questão que tem atrapalhado Mano Menezes desde o começo do seu trabalho. Ele aposta no camisa 10 santista, mas as lesões do meia insistem em aparecer. Diversos jogadores já foram testados na função dele, como meia central. Mas agora, principalmente nos amistosos, teremos um teste importante: Oscar vai jogar na posição e tem potencial para dar conta do recado. Já começou bem contra a Dinamarca…

Neymar é craque?
Não se trata de discutir a genialidade de Neymar. Mas ainda é preciso medir o quanto ele é decisivo. No Santos ele já provou que realmente é um craque, mas falhou em sua única missão de verdade pela Seleção, a Copa América de 2011. Contra jogadores olímpicos ele terá mais facilidade, mas a responsabilidade e a pressão também será maior. Caso aguente tudo isso, será um bom sinal de que Neymar está pronto para a Copa de 2014.

Lucas é Seleção?
Mano Menezes tem uma clara má vontade com o meia-atacante do São Paulo. Lucas já foi convocado pelo técnico dez vezes, mas jogou poucos minutos em todas estas oportunidades. Como foi discreto contra a Dinamarca, deve ir para o banco de reservas. Porém, na Olimpíada a tendência é que ele seja titular. Resta saber se ele convencerá Mano de que essa é a escolha certa.

Temos goleiros e volantes?
São as duas posições que temos mais carência na Seleção principal, pois não há um nome que seja indiscutível. Entre os goleiros, resta saber se Jefferson será convocado entre os três jogadores acima de 23 anos. Ele é o goleiro que mais recebeu convocações de Mano Menezes e parece ter a confiança do treinador. Mas se ele não for para Londres, a bomba estará com Rafael, do Santos, que parece pronto para o desafio, mas ainda não foi testado de verdade.

Já entre os volantes a situação é mais complicada. Sandro, Rômulo e Casemiro não aparentam ter a maturidade necessária para serem titulares da Seleção principal. Fernando, do Grêmio, que vive grande fase no Grêmio e ainda pode ser chamado, tem o mesmo problema. Mas quem não tem? Mano tem escalado Lucas Leiva e Fernandinho, mas é uma dupla que não inspira confiança e ainda deve mudar até 2014. Resta saber se os olímpicos farão parte dessa mudança.

Quem será nosso centroavante?
Não vejo a situação dos nossos centroavantes com tanto pessimismo quanto outras pessoas. Confio mais em Leandro Damião, mas também acho que o único problema do Alexandre Pato é físico. Entre os olímpicos, realmente não há mais ninguém de nível, mas Fred pode assumir a camisa 9 na Seleção principal. Portanto, o problema nem é a falta de nomes, mas sim a falta de definição sobre quem será o titular. A Olimpíada pode ajudar com isso

Mano tem que ficar?
É impossível não pensar que o cargo do técnico está sob risco. Mas ele terá que se esforçar demais para perdê-lo. Acima de tudo, porque a Seleção caiu em um grupo fácil na Olimpíada. Mas também porque este time tem qualidade e muito potencial para conquistar o primeiro ouro olímpico do Brasil. Se for para apostar, coloco meu ouro no título tupiniquim em Londres. E, portanto, Mano Menezes como técnico da Seleção até 2014.

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Três falhas seguidas e um aviso: o futebol paulista está carente de goleiros. Julio César, Deola e Dênis erraram na fase decisiva do Estadual e trouxeram essa preocupação. Mas na verdade é apenas um um pequeno sinal de um problema muito maior: o futebol brasileiro está carente de goleiros. Esse aviso já pode ser feito inclusive à Seleção.

Depois de fazer poucos testes no começo do seu trabalho, Mano Menezes tem apostado em Julio César, da Inter de Milão-ITA, para ser o titular da posição. Mas ele já foi criticado e sempre surge a pergunta: se não for ele, quem será nosso goleiro na Copa de 2014? Por isso o Opiniões em Campo listou os 7 melhores jogadores para a posição. Confira:

7º) Diego Cavalieri (Fluminense)
Não voltou bem da Europa e domorou para se firmar. Mas antes disso, era um grande goleiro no Palmeiras e tem mostrado que não desaprendeu. Tem reflexo e agilidade de sobra para defender a Seleção. Só precisa de mais experiência

6º) Rafael (Santos)
Tem ganhado elogios por ser o melhor goleiro dos times paulistas. É bastante seguro, falha pouco e provavelmente disputará a Olimpíada, o que será um teste fundamental para mostrar que pode ser goleiro da Seleção

5º) Jefferson (Botafogo)
Talvez seja o reserva que tenha mais moral com Mano Menezes, até porque foi o goleiro mais convocado até aqui. Ainda vejo limitações técnicas em seu estilo de jogo, mas costuma fazer defesas incríveis e pode ganhar mais oportunidades em breve

4º) Fábio (Cruzeiro)
É o mais injustiçado dessa lista. Criou fama de frangueiro no começo da carreira, mas já evoluiu há anos e nunca ganhou os devidos créditos por isso. Com o Cruzeiro em má fase, ele tem trabalhado bastante e mostrado que poderia ser convocado mais vezes

3º) Victor (Grêmio)
Vinha em livre ascenção até viver um inferno atral no ano passado. Victor falhou diversas vezes, como nunca antes. Isso lhe deixou abalado, mas aos poucos ele se recuperou. Resta saber se isso não acabou com a confiança que Mano tinha nele

2º) Julio César (Inter de Milão-ITA)
Está muito desgastado porque viveu fase ruim na Inter de Milão e principalmente por causa de falhas marcantes na Seleção Brasileira. Mas ainda é sim um grande goleiro, com o bônus da experiência. Não acho que mantê-lo como titular seja um absurdo…

1º) Diego Alves (Valencia-ESP)
Mas chegou a hora de testar algo novo e diferente na Seleção Brasileira. Diego Alves é o nome certo para isso. Ele conseguiu ter uma carreira ascendente na Europa e, mais do que pênaltis, tem a técnica que pouquíssimos goleiros brasileiros têm atualmente

O pior problema é que as opções praticamente param por aí. Não há mais do que sete goleiros selecionáveis no Brasil atualmente. Dentro do País só exitem mais alguns nomes de pouca confiança e muita irregularidade, como Felipe (Flamengo) ou Fernando Prass (Vasco). Fora do Brasil, no máximo existem os medianos “portugueses” Artur Moraes (Benfica-POR) e Hélton (Porto-POR), além de Gomes, que virou reserva no Tottenham-ING.

O aviso está dado: precisamos de uma nova geração de goleiros urgentemente.

Falta 1 nome para a camisa 1

Falta 1 nome para a camisa 1

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Caro Andrés Sanchez,

O senhor é um brincalhão, todos sabemos. Desde que era presidente do Corinthians, sua palavra nunca foi levada a sério. Simplesmente porque o senhor costumava mentir sobre tudo que pudesse. Quem é jornalista sabe: se você dizia que não ia contratar determinado jogador, já era possível imaginar tal jogador apresentado no dia seguinte. Normal, o segredo faz partes dos negócios. Nós, jornalistas, não gostamos, mas entendemos.

Porém, agora o senhor é Diretor de Seleções da CBF. Um cargo que deveria ter mudado sua postura como dirigente. Porém, ainda não consigo levar a sério sua palavra. Um pouco pelo seu histórico no Corinthians, mas também pelas bobagens que o senhor tem falado recentemente. A maior delas veio no último domingo, no programa Mesa Redonda. Aliás, corrijo: não foi só uma bobagem. Foram várias. Explico…

Ao comentar sobre o histórico futebol que o Barcelona tem apresentado ultimamente, o senhor questionou e respondeu: “O que eles ganhavam cinco, seis anos atrás? Nada”. Pois eu lhe corrijo: há seis anos, em 2006, o Barcelona ganhava a Liga dos Campeões. O time não era o mesmo, o técnico não era o mesmo, mas um embrião estava formado. O futebol ofensivo daqueles tempo é o mesmo que encanta atualmente.

As suas bobagens não pararam por aí. O senhor ainda disse: “E o que vão ganhar daqui cinco, seis anos? Nada, porque Xavi, Iniesta, Messi e tudo mais vão parar de jogar”. Não sei prever o futuro e pode ser até que o Barcelona não ganhe tudo em 2018. Mas tenho certeza que ele terá um time forte. Porque trata-se de uma equipe que não para de se renovar. Basta ver o número de revelações nas últimas duas temporadas. Tello, Cuenca, Thiago Alcantara e outros jovens têm ganhado espaço para futuramente serem protagonistas. Acho mais fácil prever que, daqui a seis anos, Messi terá 30 anos e comandará esse renovado time na conquista de mais títulos.

Seu argumento para defender as bobagens que disse foi terrível: “eu já fui pra lá e não vi o time jogar igual ao profissional, ainda perderam de 2 a 0 para o sub-17 do Corinthians”. Se o seu argumento é o resultado, você entendeu tudo errado mesmo. O Barcelona é muito maior do que isso. É “més que un club”, esqueceu? Nas categorias de base o importante não é vencer, mas sim revelar.

Para piorar, o senhor ainda soltou a seguinte frase: “isso daí de que o Barcelona tem uma escola de futebol, que todo mundo joga igual, é tudo balela”. Foi a frase mais ironizada na última segunda-feira e assim será por muito tempo. Assim que a Seleção Brasileira pagar mais um mico, virão dizer que a verdadeira “balela” é a Seleção Brasileira. E todos terão razão.

O correto, senhor Andrés, seria fazer como fez Muricy Ramalho há poucas semanas. Ele admitiu que o Santos aprendeu a jogar melhor depois que enfrentou o Barcelona no Mundial de Clubes. Quem viu o jogo sabe que foi uma aula de futebol. Ainda em campo, até mesmo o inexperiente Neymar admitiu isso. Meses depois da derrota, segundo Muricy, seus jogadores tentaram aprender com seus próprios erros e, acima de tudo, absorver o que o Barcelona ensinou.

É o que o senhor, Andrés, devia fazer. Ao invés de falar bobagens, deveria aprender com o Barcelona. Não para imitá-lo, porque isso seria impossível. Mas para conseguiur uma identidade de volta para a Seleção Brasileira. É preciso reinventar nosso futebol, já escrevi sobre isso neste blog. Porém, enquanto o futebol mundial evolui, nós temos desprezado o crescimento de nossos rivais. Espero que seu desprezo, Andrés, não seja verdadeiro. Mais uma vez não vou levar a sério o que você disse. Torço para que seja só mais uma balela.

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Não é segredo para ninguém: o futebol brasileiro precisa passar por grandes mudanças. Com a saída de Ricardo Teixeira da CBF, estamos no momento ideal para isso. É claro que só a renúncia dele não vai resolver tudo, até porque José Maria Marin está longe de ser um milagreiro. Mas o tempo é de reflexão para que entendamos o que está acontecendo com nosso futebol. Só com esse diagnóstico podemos evoluir a longo prazo.

Um texto recente ajuda bastante nessa missão de entender o momento do futebol brasileiro. E ele é surpreendentemente de um jogador, o zagueiro Paulo André, do Corinthians. Em seu site, ele publicou no último domingo “A encruzilhada do futebol brasileiro”. Escreveu bem sobre algo que muitos já perceberam: o futebol brasileiro está em grave decadência. Isso precisa ser percebido por todos antes que seja tarde demais.

As conquistas das Copas de 1994 e 2002, além da final de 1998, esconderam essa realidade. Além disso, deram moral para que Ricardo Teixeira se perpetuasse no comando da entidade máxima do futebol brasileiro por longos 23 anos. Mas as consequências disso ainda estão por vir. Explico…

Assim como Paulo André destacou em seu texto, o futebol brasileiro sempre teve qualidade técnica de sobra e bastou juntar isso a um bom preparo físico para nos tornarmos dominantes. Quase criamos até uma hegemonia no futebol. Quase. Porque ainda falta muita evolução em dois pontos básicos: organização e conhecimento tático.

Em relação ao conhecimento tático, é fácil perceber como ainda há preconceito sobre isso no Brasil. Enquanto os espanhóis dão aula sobre isso, não só com o Barcelona, nós ficamos presos em conceitos ultrapassados. Como escreveu Paulo André, “estamos em 2012 e no Brasil tem gente que ainda fala em ala, três zagueiros e volante de contenção”. É preciso se aprofundar mais, buscar novas táticas, sair do 4-4-2 tradicional, debater ideias e valorizar quem tem conhecimento sobre isso.

O técnico Tite é um bom exemplo disso. Grande entendedor de tática, ele sempre sofreu preconceito. Claro que seu jeito de falar contribui para o folclore, mas muitos costumam ironizar também suas divagações táticas. Ele não se importa com isso e continua decidindo jogos com substituições ousadas, variações estratégicas interessantes e times bem treinados. Nem é preciso repetir o quanto ele foi fundamental no título brasileiro do Corinthians. Gente como ele precisa ser mais respeitada e menos ironizada.

Mas a questão mais importante é a organização mesmo. Destaco mais um trecho do texto de Paulo André para ilustrar isso: “A categoria de base da maioria dos clubes brasileiros está jogada ao Deus dará. Os cargos dentro dos clubes, federações e confederações ainda são políticos e não técnicos. Isso tem que mudar!”. E essas questões ainda são pequenas se lembrarmos das acusações de corrupção contra Ricardo Teixeira. Afinal, não é pouco o dinheiro que a CBF tem, mas pouco disso foi usado para fazer evoluir nosso futebol durante os últimos 23 anos.

A consequência desse tipo de política só aparece a longo prazo. Os resultados da gestão de Ricardo Teixeira começaram a surgir em campo apenas há pouco tempo, mas tende a se estender por longos anos. Nossa Seleção Brasileira atualmente é fraca e é difícil acreditar que isso vá mudar em breve. Simplesmente porque nada foi feito para cuidar do futuro do futebol brasileiro.

Por isso insisto: se o futebol brasileiro não se reinventar, vai continuar atrás de espanhóis, alemães, holandeses e ingleses, como acontece atualmente. Eles podem não ter toda nossa técnica, mas tem muito mais organização. É evidente que toda essa mudança não vai começar com José Maria Marin. Mas fico no aguardo de sua queda para que algo realmente mude no futebol brasileiro. O que não falta é gente que pensa sobre isso. Agora falta alguém que faça.

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